1) Concorda com a tese segundo a qual, nos anos 1980, Londrina fez uma opção pelo setor de serviços e deixou de planejar sua industrialização?
2) Concorda com a avaliação do governo do Estado de que os empresários só querem se instalar perto do Porto de Paranaguá e que, por isso, a industrialização se concentra na Região Metropolitana de Curitiba?
3) Vai dar continuidade ao projeto da Cidade Industrial de Londrina (Cilon) na zona norte? Que prioridade ele terá em seu governo?
4) A Prefeitura definiu uma área na zona sul para instalar indústrias pesadas. Alegando que o terreno se encontra dentro da zona de amortecimento da Mata dos Godoy, uma ong foi à Justiça e obteve liminar contra o empreendimento. Como se posiciona diante dessa disputa?
André Trindade (PPS)
1 - Concordo em parte. Quando você tem uma cidade mais industrializada, você consegue ter outras saídas para a movimentação financeira do município. E os serviços são impactados de forma mais efetiva quando há crise do que a indústria. Esse é um dos fatores. 2 - A situação da logística e transporte afeta diretamente a indústria porque influencia no custo do produto final. Interfere no tipo de indústria que pode vir para Londrina. Precisamos de indústria de produtos de alto valor agregado em que o custo da logística pese menos no custo final dos produtos. Precisamos buscar a industrialização com viés mais tecnológico. 3 - Terá total continuidade. Precisamos de um empenho do Município na regulamentação da gestão ambiental no local. Lá, só podemos instalar indústria de baixo impacto. 4 - Existe uma legislação ambiental restritiva. Precisamos estudar as áreas corretas para implantação de determinados empreendimentos. Não podemos parar o desenvolvimento com a desculpa de que não existe área (para atrair indústria). Precisamos identificar o perfil industrial da nossa região e otimizar ao máximo esse perfil.
Flávia Romagnoli (Rede)
1 - Temos que lembrar que o Wilson Moreira (ex-prefeito que governou Londrina de 1983 a 1988) já afirmava que éramos uma cidade de comércio. Realmente, o grande foco de Londrina não é a indústria. A cidade está atrasada em relação a outros municípios. Temos de identificar focos de desenvolvimento. Temos de fazer uma política de incentivo para essas áreas. 2 - Não concordo. Um polo você fomenta a qualquer distância do porto. Quando o governador muda o trecho do Contorno Norte, ele estrangula Londrina*. Quando faz apenas os quilômetros que fez da PR-445, é muito pouco. Tudo que pudermos fazer para trazer indústrias, nós faremos. Mas nosso foco principal vai ser o pequeno e médio industrial e o comerciante já instalados na cidade. *Nas negociações entre o governo do Estado e a Econorte, exite a possibilidade de que o Contorno Norte seja trocado por outra obra. 3 - Temos de fazer o menor rompimento possível do que está em andamento. A Prefeitura de Londrina já sofreu muitos traumas. 4 - Eu sou da Rede de Sustentabilidade. E o entendimento moderno de gestão é de ver o patrimônio ambiental como realmente patrimônio. Não haverá instalação de indústria em detrimento de patrimônio ambiental. Agora, eu tenho certeza de que podemos fazer um planejamento e escolher outro lugar de implantação de um polo de indústria pesada.
Luciano Odebrecht (PMN)
1 - Não é porque Londrina é uma cidade de serviços que a gente não possa ir para novos rumos. Nós temos conversado com investidores do Oriente Médio. Eles querem investir US$ 5 bilhões no Brasil. E por que não em Londrina? (O candidato diz que advoga para uma empresa exportadora e seu contato com os árabes se dá porque são clientes dessa empresa). Temos de repensar com o governo do Estado essa ilha em que nos tornamos. Temos de cobrar o Contorno Norte. Melhorando a infraestrutura, podemos trazer indústrias para Londrina. 2 - Isso é uma falácia. Você pega Anápolis (GO), por exemplo. É longe do porto, mas tem uma Hyundai. Podemos criar um corredor até o Porto de Paranaguá. Só não pode ser indústria poluente. Não queremos o crescimento a qualquer custo. 3 - Naquilo que está correto, temos de dar continuidade em tudo. Temos de pensar Londrina para 30 anos. E sermos um pouco mais ousados. Londrina não precisa de um síndico que mal pague as contas. Precisa de um visionário, de um empreendedor que assuma riscos calculados para fomentar o crescimento. 4 - Se é uma pendência judicial, temos de esperar a decisão. O desenvolvimento tem de ser sustentável.
Marcelo Belinati (PP)
1 - Foi uma visão equivocada. A cidade deixou de se preparar para receber grandes empreendimentos industriais, deixou de preparar a infraestrutura necessária para esses empreendimentos. 2 - Concordo em parte. Outras cidades estão atraindo grandes empreendimentos e têm a mesma dificuldade. Londrina é bem localizada. Estamos próximos a São Paulo e Curitiba. As nossas saídas, tanto a PR-445 no sentido Curitiba como a BR-369 no sentido São Paulo, são pistas simples e isso é ruim. Temos um dos pedágios mais caros do Brasil. Tudo tem de ser discutido com o governo do Estado. 3 - Tudo que for bom será mantido. O que for ruim tentaremos corrigir. 4 - Todo processo de desenvolvimento tem de se dar de maneira sustentável. Como solucionar essas divergências de opinião? Através do diálogo e respeitando a lei. Se a área não é apropriada, temos de procurar uma área apropriada. Eu acredito demais no potencial de Londrina. Temos de valorizar o empresariado local. Temos de desburocratizar a prefeitura. Tem muito empresário que mudou de cidade porque ficou um ano e meio esperando alvará de construção. Precisamos criar uma política pública de incentivo e parceria. O poder público tem de caminhar junto com a iniciativa privada.
Odarlone Orente (PT)
1 - A opção vem desde a implantação da Universidade Estadual de Londrina, quando se privilegiou cursos voltados ao agronegócio. Só mais recentemente que apareceram os cursos de engenharia e a perspectiva de formação de outro tipo de mão de obra. Londrina efetivamente é uma prestadora de serviços. Mas temos de fortalecer outras vertentes, a própria agroindústria. Precismos pensar a infraestrutura necessária para receber e escoar a produção. Temos o Contorno Norte. Precisamos garantir que ele aconteça. Temos de pensar primeiro na geração de emprego e renda pelos pequenos e médios empresários já instalados na cidade. 2 - Não é uma justificativa plausível. Estamos numa posição estratégica, entre o Sudeste, Sul do País e Centro Oeste e próximos do Paraguai e Argentina. O que falta é vontade política (de trazer indústrias). O governo privilegia a capital. 3 - Tudo aquilo que é positivo para a cidade nós vamos manter. 4 - Para toda atividade de impacto, nós temos de ouvir os atores envolvidos e chegar à melhor equação para a cidade. Para além da questão ambiental, pode estar havendo falta de diálogo. Vamos buscar para a cidade tudo aquilo que possa fazê-la prosperar, respeitando a legislação e o meio ambiente.
Sandra Graça (PRB)
1 - Eu concordo que precisamos ampliar a industrialização porque ela aumenta a nossa arrecadação e, mais que isso, gera emprego e renda. Dotar Londrina de competitividade na área industrial é um desafio do novo gestor. Nós nos consolidamos na área de prestação de serviços, somos referência em educação e saúde, temos TI (Tecnologia da Informação). O que falta é alavancar a indústria. 2 - É um dificultador. Porque o empreendedor põe na ponta do lápis a viabilidade econômica do seu negócio. Estar longe do porto significa um custo mais elevado para quem trabalha com cargas diariamente. Ainda temos o custo do pedágio. Precisamos criar alternativa de competitividade. Precisamos de uma política que compense a distância do porto. Por exemplo, uma redução de carga tributária para as empresas que se instalem no interior. 3 - Com certeza vamos dar continuidade. Serão 250 empresas que já estão na cidade e que virão de fora. Temos também de preparar a PR-445 para receber novas indústrias. 4 - Está praticamente descartada (a instalação do parque no terreno sub judice). O prefeito já revogou o decreto (que tornava a área de utilidade pública). O parque da zona sul será em outra área, na saída para Curitiba.
Valter Orsi (PSDB)
1 - Não diria erro. Foi o foco lá atrás. Realmente faltou uma parte do tripé (comércio, serviços, indústria). A cidade priorizou o comércio e os serviços e a indústria acabou em segundo plano. Mas também havia problemas dentro do nosso plano diretor que, por exemplo, proibia a instalação de indústrias às margens das rodovias. Agora a gente vive um novo momento. Precisamos completar o tripé. 2 - As empresas que vêm se instalando no Paraná querem ficar próximas do porto porque facilita receber matéria-prima. O peso de estar distante do porto muitas vezes inviabiliza o empreendimento. Nós precisamos pressionar o governo. Uma saída seria o governo baixar o ICMS da empresa para compensar o pagamento de pedágio. 3 - Vamos dar prioridade as empresas locais que querem fazer ampliação. Mas não é só o Cilon I. Tem a prolongação da Saul Elkind (avenida da zona norte) em direção a Ibiporã, que tem toda uma área industrial. Tem o Parque Francisco Sciarra, que está com todos os lotes vendidos. 4 - O IAP vai apresentar ao juiz um novo desenho da área de amortecimento num tamanho adequado. Acreditamos que será liberada uma área que margeia a PR-445 e ali teríamos um outro parque industrial para indústrias mais pesadas.