Os investidores que tentarem entrar na Justiça para reaver as perdas ocasionadas pela correção dos fundos de investimento não devem ter sucesso. De acordo com analistas, como a mudança foi imposta pelo Banco Central (BC), os gestores não tiveram responsabilidade na variação dos investimentos.
De acordo com o diretor da Spirit Corretora de Valores, Ricardo Moraes Filho, os fundos não dão garantia de rentabilidade e, por isso, está entendido que pode haver perdas. ‘‘Quando o investidor aplica, obrigatoriamente assina um termo de adesão. Desde que o gestor não tenha mudado a política de aplicação, ele não tem culpa das variações’’, avalia. As perdas, explica, foram ocasionadas por um problema de contabilização, e não de gestão.
Mas para o Ministério Público Federal (MPF) pode ter havido omissão do BC, porque haveria uma circular de janeiro de 1996 que determinava que a contabilidade dos ativos dos fundos fosse feita a mercado. Na sexta-feira o MPF enviou um ofício com 37 perguntas à autoridade monetária pedindo esclarecimentos.
Desde que a marcação a mercado foi aplicada, em 1º de junho, os analistas de investimentos foram unânimes em aconselhar a manutenção do dinheiro no fundo. Quem não teve pressa de sacar as aplicações vai poder deduzir as perdas do Imposto de Renda. ‘‘Os próximos ganhos pagarão menos imposto, e investidor não deve se preocupar, porque isso será automático’’, orienta o professor da UFPR, Mauro Halfeld.

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