As novas classes sociais - Marcos Pazzini
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de outubro de 1997
Marcos Pazzini 
Desde 1991, o mercado brasileiro trabalha com dois critérios de classificação econômica distintos o ABA-ANEP, de 1979, e o ABIPEME, desenvolvido em 91. Mas, para que serve o sistema de classificação econômica? Principalmente para permitir a segmentação de mercado para diferentes grupos de consumidores. Um produto direcionado às camadas populares deve ter todo seu composto de marketing e comunicação adequado àquele público.
O critério elaborado em 79 serviu para padronizar os modelos de classificação vigentes no mercado. E até 91, o mercado adotava este único critério para todo o trabalho de planejamento e pesquisa que necessitasse de informações sobre o poder de compra dos consumidores. Em 91, na tentativa de atualização do critério de classificação sócio-econômica a ABIPEME apresentou ao mercado um novo sistema que prometia um critério mais atualizado de classificação da população em cada uma das classes sociais.
E esta iniciativa da ABIPEME trouxe alguns problemas aos profissionais de marketing, principalmente em relação ao critério usar a partir de então? O novo, mais atualizado ao momento, ou continuar com o antigo, que ainda era oficial e mais aceito pelo mercado?
Além de saber se um determinado produto era direcionado a um consumidor classe A ou B, por exemplo, era necessário saber, ainda, qual o critério utilizado para classificação pois um consumidor classificado como classe A pelo antigo critério, não necessariamente mantinha à mesma classificação pelo método ABIPEME.
Agora, por iniciativa conjunta da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), ANEP (Associação Nacional das Empresas de Pesquisa) e ABIPEME (Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado), o mercado passa a contar com o Critério de Classificação Econômica Brasil, restabelecendo a unidade dos mecanismo de avaliação do potencial de compra dos consumidores.
Este critério passou a vigorar a partir de agosto e, além de estar mais atualizado, face à realidade atual e considerar a população brasileira em cinco grupos com poder de compra diferenciado, apresenta uma subdivisão nas duas classes superiores, chegando-se a um total de sete segmentos de renda e poder de compra dos consumidores.
Essa divisão das classes A e B em A1, A2, B1 e B2, ao mesmo tempo que possibilita as empresas uma sintonia mais fina com o mercado, devido ao processo de segmentação que estamos vivendo, revela a necessidade imediata de reclassificação e avaliação dos consumidores nos diferentes mercados onde a empresa atua.
Na velocidade em que ocorre as mudanças, é essencial que se tome conhecimento, o quanto antes, da localização e do potencial de consumo da população, segundo este novo critério. Sairão na frente as empresas que souberem aproveitar-se desta mudança e adequar-se a esta nova classificação de consumidores.
- MARCOS PAZZINI é diretor da Target Pesquisas e Serviços de Marketing


