A crise de 2008 não foi provocada pela falta de intervenção do Estado na economia. Pelo contrário, foi motivada por uma intervenção inadequada. Por isso, responsabilizar o sistema capitalista por esta crise é ''mera crítica ideológica sem fins práticos''.
Quem garante isso é o professor da Unopar Adyr Garcia Ferreira Netto, que é graduado em economia, direito e filosofia. ''Para estimular a atividade econômica, o governo dos Estados Unidos havia baixado juros e incentivado os americanos a comprarem imóveis através de linhas de crédito subprimes (financiamento de alto risco)'', ressalta.
O professor diz que, posteriormente, para conter a inflação, foi o próprio governo quem esfriou o mercado inviabilizando o pagamento das dívidas imobiliárias pela prática de altas taxas de juros. ''Então foram as intervenções do governo que geraram o problema.''
Segundo ele, não é verdade que falte regulamentação nos Estados Unidos. ''O sistema financeiro americano é o mais controlado do mundo'', declara.
Ferreira Netto considera que a crise ''foi provocada por burocratas e passou ao largo do mercado''. Ele a compara com a Crise das Tulipas, ocorrida no século 17, na Holanda. ''As pessoas tinham mania de colecionar flores e começaram a investir em tulipas. Essa flores foram ganhando valores absurdos, irreais'', conta.
De acordo com o professor, no momento em que o primeiro comprador não aceitou um valor estipulado pela planta, tudo começou a desabar. ''As pessoas começaram a desconfiar que elas não valiam tudo aquilo. O sentimento de insegurança levou todo mundo a querer vender suas tulipas, mas não existia demanda e o preço despencou cada vez mais'', explica. Ele diz que aquela foi a ''primeira bolha especulativa'' da história.
Na opinião de Ferreira Netto, o Estado só deve interferir na economia para garantir a liberdade dos indivíduos, por consequência, valores do capitalismo como os de livre iniciativa e livre concorrência. O professor ressalta a existência da ''mão invisível'', conceito definido pelo economista escocês Adam Smith, no século 18.
Para Smith, existe uma ordem que orienta o mercado e o Estado deve somente corrigir as distorções. ''O que importa não é o quantum de estado, mas a qualidade de sua intervenção'' salienta o professor.

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