As forças que mudam
- O professor da UFPR, Flávio Lázzari, fala hoje, em Londrina (às 10 horas, na Sociedade Rural do Paraná, auditório Milton Alcover) sobre as Forças que Estão Mudando a Agricultura e, conforme divulgamos ontem, deve abordar tendências mundiais do sistema de produção, globalização, cadeias produtivas, novo perfil do consumidor, etc. Enfoque bem atual e pertinente.
- Deixando de lado as mudanças de conceito, a face econômica da agricultura mudou muito (para pior) em 1996. Ficou mais pobre, desde 95. O PIB agrícola, de US$ 50 bilhões, caiu 20% em relação ao ano anterior, ficando em US$ 40 bilhões. O endividamento, que ficava entre dois, três, no máximo cinco bilhões de dólares, se elevou, com os juros, para mais de 25% do PIB agrícola. Tem hoje uma dívida agrícola de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões. O governo securitizou US$ 7 bilhões dessa dívida, como consequência dos seus erros. Em relação há dois anos, o patrimônio dos agricultores perdeu 40%, 50% de seu valor.
- A queda da safra foi de 15% de 1995 a 1996. Produziu este ano 72 milhões de toneladas de grãos, contra quase 80 milhões ano passado. Isto está ocorrendo quando, nos Estados Unidos e na Europa, por fatores climáticos ou de mudança de política agrícola, também houve queda na produção. Os estoques de grãos são os mais baixos desde a segunda guerra mundial, em termos relativos. Com isto os preços de algumas commodities subiram muito, como soja, milho e trigo. Só que os preços internacionais não se refletem no Brasil, por causa das políticas cambial e monetária. Salvo a soja, a agricultura brasileira não se beneficiou disso.
- O resultado é que a renda rural em 1996 caiu mais 2% em relação a 1995, devido mais à queda de volumes de produtos que ao preço. Mas o fato é que a renda não se recuperou em 1996. Estamos chegando ao final do ano com um gravíssimo quadro de perda de renda, com algumas ilhas de vantagem, como é o caso da soja. O agravante é que a securitização, feita para resolver a inadimplência, está impedindo novos créditos. Ela foi parcial, atendendo apenas uma parcela de agricultores, se bem que muito necessitada. Mas os grandes produtores não foram atendidos pela securitização, razão pela qual não houve aumento na área plantada neste ano. Por fim, muitos bancos fizeram a securitização, mas não dão um novo crédito aos agricultores, argumentando que não terão condições de pagar um novo crédito, mais o securitizado.
- As cooperativas também tiveram seus débitos securitizados e não tiveram novos créditos. ara pagar a securitização a agricultura precisa plantar, o que só é viável com novos créditos. Devido aos estoques em queda, O mundo inteiro se abre, enquanto mercado, para países emergentes, tentando conquistar estes mercados com vigorosos aumentos de produção.





