- Os brasileiros estão produzindo e tomando mais leite, aponta levantamento oficial. É um bom indicador de distribuição, mas não é tudo. A própria indústria láctea tem seus gargalos e uma relação de parceria entre produtor e sua cooperativa não-resolvida. Fora da cadeia leite, outros referenciais apontam uma economia que não se recupera em bloco, uniformemente. Exemplo: o número de falências requeridas cresceu 44,40% neste ano em relação a igual período de 95 e o de cheques sem fundos e sustados 5,50% e 10,31%.
- As falências e dos cheques destoam dos outros indicadores, informa o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo. Na sua avaliação, isso mostra que o comportamento dos vários segmentos da economia não foi uniforme neste ano. Os números são de São Paulo, mas podem ser considerados representativos de todo o País.
- A alta das falências requeridas em SP, que somaram 14.675 em 96, reflete que as medidas de flexibilização não tiveram efeito sobre as pequenas e médias empresas, que geralmente não têm condições de pedir concordata. ‘‘Em 97, as falências requeridas tendem a aumentar ou a ficar nesse nível, que é muito alto, se não houver um esquema especial de renegociação de dívidas para os pequenos e microempresários.’’
- Os cheques sem fundos ou sustados também preocupam, especialmente porque diminuiu o uso desta forma de pagamento com a estabilização da economia. Pesquisas mostram que em cada cem cheques recebidos, 20 acusam algum tipo de ocorrência, exemplifica Solimeo. Isso mostra que, por mais que se desenvolvam mecanismos para reduzir o calote nos cheques, ele ainda se mantém alto.
- Já a inadimplência do crediário fecha o ano com resultado positivo. O número de consumidores que deixaram de pagar em dia os carnês foi 4% menor em relação a 95. Na primeira quinzena deste mês, houve um recuo de 12,6% no número de calotes da venda a prazo sobre novembro. Neste ano, cresceu 20% o número de consumidores que procuraram renegociar as dívidas para voltar a comprar a prazo e na primeira quinzena deste mês, os registros cancelados ficaram praticamente estáveis sobre novembro.
- O número de consultas ao SPC, que mede as vendas a prazo e do Telecheque, termômetro das vendas à vista, mostra um crescimento das vendas neste ano. O SPC aumentou 31,30% e o Telecheque, 18,60%. No caso do crediário, os prazos longos e as prestações menores impulsionaram as vendas durante o ano, especialmente dos eletroeletrônicos, que estão se mantendo. Na primeira quinzena deste mês, as consultas ao SPC estão 35% acima de novembro e 25% maiores que em dezembro de 95. Já as concordatas requeridas devem fechar o ano com queda de 43,30% em relação a 95. Só na primeira quinzena deste mês o recuo foi de 53,84% na comparação com novembro e de 62,5% em relação a igual período de dezembro de 95.

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