As demissões serão inevitáveis, diz especialista
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A fusão das empresas Sadia e Perdigão tem como objetivos diminuir custos e aumentar a participação no mercado. Especialistas consultados pela Folha acreditam que a união das companhias só vai beneficiar o consumidor se a redução de custos for repassada. A previsão deles é que as duas incorporem este valor à margem de lucro e que as demissões serão inevitáveis.
O coordenador do curso de Economia da FAE, Gilmar Mendes Lourenço, lembrou que as duas empresas já tentaram realizar a fusão na década de 90. Ele acredita que as duas marcas devem ser preservadas apesar de a nova empresa ser batizada de Brasil Foods.
As duas companhias amargaram prejuízos no primeiro trimestre deste ano. A Perdigão anunciou perdas de R$ 226 milhões e a Sadia de R$ 239,2 milhões no período de janeiro a março. Para ele, o prejuízo deste ano foi consequência da crise financeira. Em 2008, a Sadia teve prejuízo de R$ 2,5 bilhões. No ano passado, a companhia teve problemas com negócios em derivativos. ''O dólar valorizou e a Sadia investiu em operações vinculadas ao dólar, o que levou a um prejuízo financeiro e não operacional'', explicou Lourenço.
Ele destacou que, geralmente, as fusões aumentam o poder de mercado, a escala de produção e diminuem custos, além de inibirem a concorrência. ''O consumidor só será beneficiado se a redução de custos for repassada'', disse. Ele acredita que essa redução deve ser incorporada à margem de lucro.
Em um processo de fusão sempre ocorre a avaliação da produção e do modelo de gestão. Por isso, ele prevê que ocorram demissões. ''Na crise, o pente fino fica mais criterioso'', destacou. Lourenço disse que, agora, a Brasil Foods vai depender da demanda do mercado internacional. A empresa terá que apresentar uma linha mais agressiva, além de investimentos em marketing, propaganda e comercialização.
O assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, disse que caso a Sadia continuasse sozinha no mercado, poderia ter problemas financeiros maiores no futuro.
''Esperamos que a fusão seja feita com o menor trauma possível para os produtores integrados (às duas empresas)'', afirmou. Ele disse que com a união das duas empresas será realizada uma recomposição de toda a parte administrativa e também presume que as demissões serão inevitáveis. Em março, a Sadia já tinha demitido 71 empregados no Centro de Serviços localizado em Curitiba.


