As ciladas das compras a prazo
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segunda-feira, 03 de maio de 2010
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Data com forte apelo no comércio, o Dia das Mães leva muitos consumidores a investir em compras de alto valor e quase sempre parceladas. Se o varejo tem suas estratégias para incentivar a venda a prazo, o consumidor também precisa mostrar suas armas para não aceitar juros abusivos, que podem vir acompanhados da cobrança de encargos e seguros. A primeira dica é não fazer das compras um momento de lazer, aponta Luiz Fernando Soares da Silva, especialista em finanças pessoais e professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar). ''Se você sai disposto ao lazer, empolga-se facilmente e age por impulso'', diz.
O consumidor com tal comportamento é presa fácil para as compras a longo prazo, cuja placa na vitrine informa de forma clara as ''suaves prestações'' de determinado produto, mas encobre o seu preço final. Neste caso, segundo Silva, a informação é a principal arma de quem sai às compras. As taxas abusivas podem estar embutidas principalmente quando os estabelecimentos oferecem, além do parcelamento longo, prorrogação no prazo para início do pagamento.
''Se, ao fazer o cálculo, o consumidor descobrir que poderia levar para a casa praticamente dois produtos ao invés de um, aí temos um caso típico de juros e encargos embutidos muito elevados'', destaca o especialista. Outra dica para analisar se os juros estão abusivos, segundo o especialista, é observar o chamado ''custo de oportunidade''. ''Será que os juros que estou pagando pela compra a prazo são inferiores aos rendimentos que poderia ter se aplicasse um valor e depois procurasse comprar à vista?'', questiona
Para ajudar, Silva recomenda a comparação com os juros mensais cobrados por bancos em casos de cheques especiais ou empréstimos automáticos. Se o percentual adotado pela loja for maior e a pessoa realmente precisar daquele produto, é melhor fazer o empréstimo no banco e negociar o valor à vista. Outro detalhe, segundo o especialista, é verificar se a taxa anunciada pelo estabelecimento é nominal (sem IOF e outros encargos) ou efetiva (já com os encargos).
''Não há parcelamento sem juros, por mais ausente que pareçam. Nenhum comerciante irá vender a prazo, utilizar de seu próprio capital de giro, sem cobrar por isso'', alerta. Para quem precisa da mercadoria com urgência e não pode pagar à vista, Silva sugere a pechincha ou a pesquisa no comércio para achar produto similar e mais barato. O melhor caminho, portanto, é planejar o orçamento para não precisar recorrer ao crediário. A dica é criar o hábito da ''poupança doméstica'' para fazer a compra desesjada num menor prazo possível.
Quanto ao seguro oferecido por algumas lojas de departamento nas compras a longo prazo, Silva recomenda cautela. ''Eles argumentam que este seguro vai garantir a quitação das prestações caso você venha a perder o emprego, mas não explicam sobre a carência nem sobre o teto de cobertura. Além disso, a burocracia (para usar o seguro) é tamanha que, caso você venha a precisar, corre um grande risco de não conseguir'', alerta.
O especialista afirma ainda que o consumidor deve ler o contrato de compra e exigir um detalhamento de tudo o que está embutido nas parcelas, não só pelo vendedor, mas pelo gerente ou responsável pela loja. ''Quanto mais o cliente se mostrar informado, menos oportunidade o comerciante terá de tentar enrolá-lo'', afirma.


