Na família, elas já são soberanas em muitos aspectos: cuidam dos filhos, administram a casa e, nos últimos tempos, também vêm ganhando espaço nas finanças - com holerites cada vez mais poupudos - superando, em certos casos, os dos próprios maridos Segundo pesquisa realizada recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domícilio (Pnad), o número de famílias chefiadas por mulheres cresceu de 27% em 2001 para 35% em 2009 no Brasil São cerca de 21,9 milhões de lares nos quais o sexo feminino fica responsável pelas despesas essenciais (e diversas outras) da casa
No Sul do País o aumento desse tipo de perfil foi ainda mais significativo Nos últimos oito anos, as famílias matriarcais cresceram de 24,4% para 33%, seguido do Sudeste, com o avanço de 28,8% para 36% Para Maria Eduvirges Marandola, professora de economia do Centro Universitário Filadélfia (UniFil), um dos motivos desse crescimento está na busca das mulheres pela plena realização financeira ''As mulheres estão vislumbrando mais educação e treinamentos (profissionais), o que resulta num aumento de produtividade e consequentemente, um crescimento salarial'', explica a especialista em economia doméstica
Funciona da seguinte forma: elas escolhem a profissão, se capacitam bem para exercê-la, recebem bons salários e conquistam independência financeira, o que pode levá-las a se tornarem chefes de família Aliado a isso, está a queda de fecundidade das mulheres ''Com salários mais elevados, elas optam pela carreira profissional frente à família, reduzindo assim o número de integrantes'', avalia Eduvirges
A pesquisa aponta ainda que a maioria dessas famílias é composta por mulheres sem parceiros, representando 17,3% das famílias do País Na região Nordeste, a proporção é ainda maior, 19,5%, o Norte vem logo depois, com 18,8% No Sul, os números são menos expressivos, 13,9%
É nessa fatia que está a profissional autônoma Rosimere Lima Divorciada há seis anos, ela mudou de Cuiabá para Londrina em 2004 Mãe de duas filhas, Tainara, de 22 anos, e Calina, 16, ela resolveu se profissionalizar no segmento de vendas de perfumes importantos com atendimento personalizado Tudo para conseguir manter o mesmo padrão financeiro de quando era casada ''Quando um casal se separa, os dois lados ficam mais pobres, então tive que correr atrás para manter o mesmo padrão de vida, já que as despesas aumentaram Meu primeiro cliente foi o advogado que cuidou da minha separação'', brinca Rosimere
Com mais de 100 clientes fidelizados, Rosimere hoje consegue manter as contas diárias de sua família reestruturada, e aponta as diferenças em relação à sua vida de casada ''Agora, chego a perder o sono por causa das contas e dou muito mais valor ao dinheiro Quando casada, não me preocupava muito com as despesas Meu ex-marido é muito presente com as minhas filhas, inclusive mantendo a pensão das meninas'', complementa a empresária
Satisfeita como chefe de família, Rosimere diz que a liberdade é a melhor qualidade da vida de solteira Ela não dispensa um happy hour, é atleta de um grupo de corrida e até já participou da São Silvestre ''Estou satisfeita, mas se pintar um grande amor '', diverte-se

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