Curitiba - Os brechós podem ser uma boa opção para economizar na hora de compor o guarda-roupa. As lojas deste setor em Curitiba oferecem peças a partir de R$ 5,00 e ainda estão com roupas de verão nos cabides. Um dos brechós da Capital chegou a vender uma bolsa Christian Dior por R$ 440,00. E estes estabelecimentos comerciais recebem os mais variados clientes desde pessoas de poder aquisitivo mais baixo até profissionais como advogados, médicos e psicólogos.
O Brechó Casarão existe há 25 anos e, nos últimos dez anos, o público mudou bastante, contou a proprietária Edna Nonato. ''Antes recebíamos só pessoas mais simples'', diz. Há até alunos de faculdade que compram as peças para revender e poder pagar o curso superior. ''Há alguns anos o pessoal tinha medo de ser visto em um brechó.''
A loja de Edna vende também peças de marcas famosas como Forum, M.Officer e Daslu. Um casaco de couro da Zoomp era vendido por R$ 150,00 nesta semana. O carro-chefe de vendas é a calça jeans comercializada por R$ 10,00 a R$ 44,00. ''As calças jeans são como carro, têm modelo e ano'', brinca. As blusinhas femininas custam entre R$ 5,00 e R$ 18,00 e os sapatos de R$ 5,00 (sandálias rasteirinhas) a R$ 50,00 (botas). Antes de colocar as peças à venda, Edna lava e passa todas as roupas, limpa e engraxa os sapatos.
O ourives Eurico Gonçalves procura regularmente os brechós para comprar peças retrô como jeans e tênis. Ele prefere as marcas Levis, Nike e Adidas e consome produtos de brechó há quatro anos. ''É possível até encontrar roupas importadas em brechós'', conta.
No Brechó Stradivarius há peças como camisetas, saias e blusinhas a partir de R$ 5,00. Um dos produtos mais caros vendidos nesta semana era um casaco sete oitavos de couro que custava R$ 180,00. A loja oferecia paletós e ternos por R$ 80,00 e já chegou a vender calça jeans da marca Diesel por R$ 80,00. O brechó também recebe grifes como Le Lis Blanc, Osmose, Animale, Zara e Arezzo. A proprietária Maristela Almeida afirma que as roupas de marca e em bom estado de conservação têm um giro muito rápido.
''O público que vem aqui quer marca ou roupas baratas e também peças para teatro e querem coisas boas. É um público, até meio exigente'', observa. Segundo ela, há pessoas que levam roupas para vender praticamente novas, ou seja, antes de acabar a estação. ''Tem peças que foram usadas uma única vez'', conta. Ela disse que procura comprar roupas que estejam lavadas e bem cuidadas.
A aposentada Valdimira da Luz compra peças em brechós há dez anos. ''Vale a pena. É bem mais barato'', diz. Ela costuma levar produtos como blusas e sandálias e outros itens para a filha e o marido. ''Sempre olho se a roupa tem buracos, fio puxado e se as costuras estão boas.''
A instrutora de moda do Senac e personal stylist, Alessandra Olsen, disse que os brechós são locais para quem procura algo diferenciado porque as peças retrôs não são encontradas em lojas de roupas novas. Ela ressalta que os produtos têm boa qualidade porque não é qualquer peça que entra nestas lojas.
Alessandra ensina que antes de comprar, o consumidor deve verificar a peça detalhadamente, ver se tem furinhos, costuras mal feitas e se há manchas. Outra dica é observar a viabilidade do produto no guarda-roupa e pensar como a pessoa vai compor o ''look''. Ela alerta ainda que o consumidor não deve comprar por impulso e não se deixar levar pelo preço que, geralmente, é barato. Outra dica é não comprar peças muito ultrapassadas e mandar na lavanderia antes de usar.
Alessandra não aconselha a compra de sapatos porque ''cada pessoa tem um jeito diferente de pisar'', o que pode trazer algum tipo de problema ao usar o calçado.

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