Imagem ilustrativa da imagem As abelhas e a soja
| Foto: Divulgação/Embrapa Soja
Segundo o pesquisador da Embrapa Décio Gazzoni uma das linhas do estudo é descobrir se a presença de abelhas poderia complementar a fecundação das flores de soja, aumentando a produtividade



Insetos polinizadores são extremamente importantes para a sobrevivência e eficiência produtiva de diversas culturas, fundamentais para o meio ambiente e, claro, o agronegócio. Não por acaso, o físico alemão Albert Einsten disse certa vez: "Sem abelhas não há polinização, ou seja, sem plantas, sem animais, sem homens". Na cultura de soja, porém, a importância da polinização sempre ficou em segundo plano, afinal, commodities produzidas em larga escala muitas vezes estão ligadas à utilização de agrotóxicos e à redução de tais insetos no ambiente rural.
Um projeto de pesquisa da Embrapa Soja com a multinacional Bayer deve mudar esse paradigma. Nos próximos cinco anos, o instituto de pesquisa sediado em Londrina vai estudar as relações entre os insetos polinizadores – principalmente abelhas – e o sistema de produção de soja. Entre as diversas frentes do trabalho, a ideia é descobrir, por exemplo, se a presença de abelhas em determinada quantidade pode interferir na produtividade de oleaginosa. Com isso, no futuro pode ser possível o desenvolvimento de variedades com características genéticas que atraiam tais insetos polinizadores para as lavouras. O investimento do projeto é alto, mas não foi divulgado.

Mais produtividade
O pesquisador da Embrapa Soja líder da pesquisa, Décio Gazzoni, relata que por muito tempo não se deu importância aos insetos polinizadores na cultura de soja, considerada uma espécie autopolinizada, ou seja, quando a flor abre, já está fecundada. "Com isso, se pensava que os insetos polinizadores não fariam muita diferença neste caso. De repente, começaram a aparecer alguns estudos pontuais dizendo que não era bem assim e começou a se questionar tudo isso. Vamos verificar se há algum interesse aí que pode beneficiar os produtores".
Uma das hipóteses trabalhadas é que a presença de abelhas poderia complementar a fecundação das flores de soja, aumentando a produtividade. Vale dizer que a floração da soja tem duração curta na safra, entre 15 e 25 dias. A primeira etapa da pesquisa prevê a captura das chamadas substâncias voláteis, compostos emitidos pelas plantas que são fundamentais para atração e também a repelência dos polinizadores. "Diferentemente do eucalipto ou laranjeira, a soja não é propriamente uma planta melífera. Queremos entender quais substâncias voláteis são essas, estabelecer o perfil químico delas, em que condições são emitidos pelas plantas e capturados pelos insetos. As flores, por exemplo, variam a emissão dessas substâncias ao longo do dia conforme a temperatura e a umidade. Queremos identificar que reações acontecem e como as abelhas reagem a essas alterações".
A base principal do trabalho ocorre em Londrina, mas há ações em parceria com instituições do Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Bahia, já que em cada região produtora diversos fatores estão envolvidos, como a variação dos insetos polinizadores, clima, vegetação, variedade de soja, entre outros. "Tenho uma grande expectativa que no final desses cinco anos elucidaremos toda essa questão entre as abelhas e a soja, sendo possível dar recomendações bem claras para o produtor. Ele pode tornar esse ambiente de lavoura favorável e como a oleaginosa pode deixar de ser um eventual risco para outras culturas que precisam necessariamente dos polinizadores", complementa o pesquisador.

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