Pode parecer mórbido, mas um dos momentos mais difíceis da vida de uma família já conta com facilidades e novidades no mercado. Edredon para defuntos, urnas de plástico para guardar ossos, macas, cortinas para ornamentação da sala de velório, plano funeral, entre outros produtos e serviços já estão à disposição das famílias dos mortos. Esses serviços contribuem para que os empresas nacionais do setor movimentem R$ 7 bilhões neste ano - um volume 17% superior ao do ano passado.
As empresas que fornecem produtos ao setor deverão faturar até 40% mais. A Laidon Distribuidora de Produtos Funerários e para Cemitérios está lançando o edredon estampado que cobre o corpo, substituindo o uso de flores. A empresa surgiu há 10 anos em Arapoti (149 km ao Sul de Jacarezinho), e o seu faturamento deverá crescer 40% este ano, estima o proprietário Celso Carlos de Moraes.
Segundo ele, além do edredon que já está em uso, no próximo mês a empresa vai lançar uma maca multiuso para transportar corpos. O lançamento será numa feira de produtos funerários que acontecerá em São Paulo no início de novembro. ''Muita gente já prefere substituir as flores pelo edredon. Esses dias recebi um telefonema de uma mulher de Minas Gerais encomendando um edredon para quando ela morrer. Ela não gosta de flores e disse que gostou da novidade'', conta Moraes.
Para o consumidor o edredon custa a partir de R$ 30. Também tem enxoval completo com colcha, edredon e um travesseiro. Este kit sai por cerca de R$ 150 em média. Na loja, o empresário também confeciona roupa social para defuntos. ''Vendo muito vestido e terno oxford e camisa de microfibra'', comenta.
O mais interessante, diz Moraes, é que os produtos estão tendo boa aceitação do Oiapoque ao Chuí. ''Atendo cidades desde Boa Vista (Roraima) até Santa Vitória do Palmar, na divisa com o Paraguai (extremo Sul). Cidades da região também são abastecidas pelos produtos, principalmente aquelas que funcionam no sistema particular.
Além da região, o empresário vem mantendo contatos com cemitérios e funerárias da Argentina, Itália e Luanda com o objetivo de exportar regularmente. A Laidon já fez algumas vendas esporádicas ao exterior. Ele justifica que entrou no mercado inovação. Tanto é que a empresa começou a atividade com um investimento inicial de R$ 10 mil e hoje vale pelo menos 15 vezes mais'', comenta.
Algumas floriculturas também têm produtos diferenciados para velórios e sepultamentos. Em vez das tradicionais coroas, Yda Katsumi Pozza, da Floricultura Shangri-La, tem vendido arranjos em vários formatos, cachepôs e jarros para decorar os ambientes. ''Podemos usar praticamente todo tipo de flor, não só cravos mas flores nobres como rosas e lírios. Elas dão uma leveza discreta'', diz. As criações de Yda tem tido tanta procura que a floricultura mantém pronta entrega de algumas opções.

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