Artifício não deve pressionar a inflação
A redução de peso de cerca de 40 produtos não deve ter impacto significativo nos índices de inflação, segundo centros de pesquisa consultados pela Folha. Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sandro Silva, a prática pode provocar alta, mas muito pequena. ''O extrato de tomate, por exemplo, tem várias marcas pesquisadas, mas não são todas que reduziram o peso. Além disso é feito uma média ponderada'', explicou.
A coordenadora da pesquisa do custo de vida em Curitiba, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Social (Ipardes), Maria Luiza Veloso, disse que a partir de agora os fiscais vão acompanhar criteriosamente a redução de peso. ''Mas nós só pesquisamos produtos bem especificados, como bolachas de 200 gramas e sabão em pó de 1 quilo. Não entram produtos menores'', afirmou.
A Associação Paulista de Supermercados (Apas), que reúne mais de mil empresas do Estado de São Paulo, que correspondem a 41% de todo o abastecimento varejista do Brasil, também não acha que vai haver aumento. Segundo o presidente da Apas, Omar Assaf, o preço dos alimentos subiu bem pouco em comparação com outros produtos e serviços. ''O que pressiona a inflação são os preços públicos, de luz, água, gasolina, e não os alimentos. Não há perigo da inflação disparar dentro do supermercado''. (R.F.)





