“É importante que essas entidades sejam representadas de forma impessoal e apartidária, não na pessoa de quem preside cada órgão"
“É importante que essas entidades sejam representadas de forma impessoal e apartidária, não na pessoa de quem preside cada órgão" | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

A articulação entre lideranças da sociedade e do poder público, de forma impessoal, são determinantes para o desenvolvimento econômico de uma cidade ou região. A afirmação é do presidente do Sindimetal (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico) de Maringá, Carlos Walter Martins Pedro, que ministrou na quinta-feira (23) uma palestra, na AML (Associação Médica de Londrina), com o tema “Planejamento Estratégico – Case de Maringá”. A organização foi do Fórum Desenvolve Londrina.

O empresário defendeu a organização em entidades nos moldes do Codem (Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá), do qual fez parte da fundação e integra hoje o comitê gestor, que englobe entidades do setor produtivo, do poder público, religiosas e de entidades comunitárias, como Rotary. O conselho maringaense tem caráteres consultivo e deliberativo, para atuar na pavimentação de políticas para organização do município e da região. “É importante que essas entidades sejam representadas de forma impessoal e apartidária, não na pessoa de quem preside cada órgão naquele momento, para que essa articulação vise somente o futuro da cidade”, disse Pedro.

Todos que integram o Codem atuam como voluntários. O empresário afirmou que é preciso compreender que o resultado desse trabalho vem do desenvolvimento da cidade e, consequentemente, da economia local. Ainda, disse que a amplitude do grupo permite que sempre uma entidade assuma protagonismo quando outra está impedida. Já o financiamento está incluído no orçamento da prefeitura para cada ano, que destina 2% dos recursos ao desenvolvimento econômico.

Assim, o Codem organizou a sociedade local para o Movimento Repensando Maringá, que deu origem ao Masterplan Metrópole Maringá. O palestrante contou que uma consultoria internacional foi contratada para a primeira parte do projeto de planejamento estratégico, ao custo de R$ 1,2 milhão, e todos os recursos saíram de entidades e empresários da região. “E por quê? Porque essas empresas vão ser beneficiadas por esse desenvolvimento econômico”, citou Pedro.

O segundo passo do projeto custou R$ 3 milhões e fez com que a participação na cidade aumentasse. Segundo o conselheiro do Codem, até mesmo cooperativas de táxi locais davam descontos em serviços prestados no desenvolvimento do Masterplan, “porque as pequenas contribuições fazem com que se sintam tão importantes quanto as grandes.”

DEBATE

O empresário em Londrina e vice-presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) Ary Sudan questionou qual seria a melhor forma de convencimento para que os empresários participassem. O palestrante afirmou que é comum que se espere a iniciativa financeira do poder público ou de entidades de classe, mas que é possível quebrar barreiras com “estratégia e articulação com lideranças políticas”.

No primeiro ponto, ele sugeriu reunir pessoas próximas a cada empresário, que vão participar dos projetos, para mostrar os benefícios. “É preciso colaboração, porque, se depender somente de um pedido formal e amplo, não se consegue”, disse o conselheiro do Codem.

Para o segundo, cobrou reciprocidade de empresários às necessidades do município. “Não dá para chegar em um evento público e cobrar apoio do prefeito, sem informá-lo antes dessa demanda. Se você oferece apoio, você recebe apoio quando precisa.”

Pedro também afirmou que é preciso estar com “todas as certidões em dia, ter o projeto nas mãos e oferecer contrapartidas” para ter financiamento de projetos com verbas estaduais e federais. “E precisa de atuação política em Brasília, articulada por todos da bancada da cidade.”

O superintendente do Grupo Folha, José Nicolás Mejía, propôs que as duas cidades trabalhem em conjunto, para formar um corredor de desenvolvimento econômico entre Maringá e Londrina e beneficiar todo o Norte do Paraná. Presidente da Agência Terra Roxa de Desenvolvimento e também do Sindimetal de Londrina, Valter Orsi complementou que um estudo que custou R$ 3,5 milhões, financiado pelo Banco Mundial, ficará pronto em outubro, com esse objetivo.

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