Curitiba - Trocar o árduo trabalho nos canaviais do Norte Pioneiro do Estado pelo artesanato foi a opção da maioria dos 120 moradores de Jacarezinho que, hoje, fazem parte de seis cooperativas do município, cuja linha de produtos decorativos e de utilidade doméstica leva a marca Comfibra. Esta semana, os novos artesãos estão tendo a oportunidade de divulgar seu trabalho na 15ªFeira Internacional de Artesanato, em Curitiba, no estande do Programa de Voluntariado Paranaense (Provopar).
  Além da oportunidade de uma nova fonte de renda, o projeto desenvolvido pelo Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR) tem um apelo ambiental, já que a extração da matéria-prima não tem impacto negativo. É a partir da fibra do tronco da bananeira e da taboa (espécie de capim de alagados) que os artesãos fazem os trançados, dando forma a tapetes, almofadas, luminárias, biombos e outras peças de fino acabamento.
  Aldete Silvério de Oliveira, uma das cooperadas que antes de virar artesã trabalhou no corte de cana-de-açúcar por 10 anos, diz que se sente muito mais feliz, hoje, com a nova profissão. Os ganhos com o artesanato ainda não são suficientes para sustentar a casa, admite Aldete. No entanto, ajudam a complementar a renda do marido, Wanderley Pascoal, que trabalha como tratorista em uma usina de cana-de-açúcar. Ela conta que chega a faturar de R$ 200 a R$ 250,00 por mês. O ganho dos artesãos, conta ela, depende do seu próprio rendimento. ‘‘Quanto mais produz, mas se ganha’’, complementa.

  Potencial - De acordo com o coordenador do projeto e consultor do Sebrae em Jacarezinho, Odemir Vieria Capello, pelo menos, metade dos cooperados tem renda média de R$ 400,00 a R$ 500,00. Mas ele considera que o projeto é ainda muito novo e, por isso, a perspectiva de ampliar o rendimento para os artesãos é grande. ‘‘As cooperativas têm potencial para produzir uma média de 5 mil peças ao ano, o que representaria 2 milhões de reais de faturamento’’, projeta Odemir.
  Para o consultor, além do aspecto financeiro, o que pesa mais é o ganho em auto-estima. ‘‘Muitos não tinham atividade alguma. As mulheres que não são oriundas da roça eram donas-de-casa’’, revelou.
  Essa era a condição de Andréa Cristina Fuganholi e Valquíria Medeiros de Oliveira. Ambas se sentem entusiasmadas com a oportunidade de ganhar o próprio dinheiro. ‘‘É uma terapia. Além de aprender muita coisa, a gente acaba se tornando uma família’’, afirmou Valquíria. Para Andréa, o trabalho como artesã veio em boa hora. O marido, que é torneiro mecânico, está desempregado. É a venda do artesanato que está dando conta do orçamento doméstico.
  Capello lembrou que a parceria com outras instituições como o Provopar, Associação Comercial e Empresarial de Jacarezinho, Petrobras, Prefeitura de Jacarezinho, Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, dão a sustentação financeira ao projeto. A Petrobras doou os teares e os barbantes e outros materiais usados no acabamento são subsidiados pelos parceiros. A matéria-prima não tem custo já que é retirada dos restos de troncos de bananeiras.
  O consultor destacou que o grande diferencial do projeto está na participação dos artesãos em todo o processo – desde a coleta da matéria-prima até a comercialização. São os cooperados que decidem, inclusive, o que irão produzir. Eles têm apenas o auxílio de um designer para elaborar o acabamento das peças.

Serviço:

- A linha de produção dos artesãos de Jacarezinho é apresentada no site www.comfibra.art.br, onde é possível fazer encomendas.

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