Artesãos londrinenses e da região estão aprendendo que não basta dominar a técnica. É preciso transformar o produto feito à mão em algo que agrade aos olhos, mas também às exigências do mercado consumidor.
É com essa meta que 12 artesãos participam da Feira Internacional de Artigos de Mesa, Presentes, Jóias, Relógios e Pratarias (MACEF), de 8 a 11 de setembro em Milão, na Itália, evento que reúne um público de cerca de 60 mil pessoas. O grupo será representado pela Associação de Artesanato e Estilo (Artest), que reúne 120 artesãos.
A Artest vai expor na feira italiana 180 peças em cerâmica, papel machê, machetaria em madeira e couro, seda, entre outras. Algumas dessas peças estão em exposição na agência do Banco do Brasil, do Calçadão em Londrina.
''Não estamos levando todos os associados porque escolhemos os trabalhos que têm alguma identificação com a feira italiana'', afirma Roberto Mucci, responsável pelo comércio exterior da Artest, associação que atua na divulgação e na comercialização dos produtos.
Para conquistar esse novo mercado, os artesãos contam com a assessoria do arquiteto Henrique Brunelli.
Ele lembra que não basta dominar as técnicas artesanais, já que o mercado é bastante exigente.
''Geralmente, a técnica desenvolvida pelo artesão é valiosa, mas muitos, por falta de conhecimento, não de técnica, mas de mercado, ficam com a técnica limitada. O nosso trabalho é ir até esses trabalhadores e analisar a peça dele sem interferir, colaborando com o produto final'', destaca Brunelli.
O artesão Ermelindo Divino Alves trabalha com machetaria em madeira há oito anos e já participou da feira Maison & Objet, em Paris, através da Artest, recebendo assessoria para adequar os produtos ao mercado externo.
''Uma das coisas importantes da associação é que ajuda na divulgação, dando chance da gente se tornar conhecido. O artesão sozinho não tem condições de exibir seus produtos numa feira como a de Milão'', afirma Alves.
Com dois anos e meio de criação, a associação está concorrendo ao Top 100 do Sebrae, que premia os melhores trabalhos em artesanato, levando em consideração a qualidade e o empreendedorismo.
Denise Mucci, coordenadora da Artest, ressalta que a associação ajuda o artesão a sair da informalidade.
''A associação oferece condições para o artesão se preparar como empreendedor'', afirma Denise, acrescentando que a entidade foi convidada pelo Unicef para participar de um processo seletivo de produtos, enviando para a Suíça uma mostra do artesanato da região de Londrina.
Na avaliação de Brunelli, o artesanato brasileiro é valorizado no exterior pelo colorido das peças e a diversidade de materiais. Porém, ele observa que falta uma maior profissionalização.
''Os Estados Unidos e a Europa têm uma indústria desenvolvida e, talvez por isso, valorizem mais o artesanato. Já os consumidores têm consciência ecológica e que gostam de saber que estão comprando produtos que podem ajudar pessoas que vivem em países com grandes problemas sociais e econômicos, como o Brasil'', afirma Brunelli.

- Serviço
- Para se associar à Artest, o artesão precisa pagar uma taxa anual de R$ 50,00 e mensalidade de R$ 20,00. Além de assossoria e a participação em exposições e oferecer material de divulgação, a associação ainda mantém o site www.artest.com.br. Informações fone (43) 3323-2510.

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