Ao que tudo indica, os natais de Londrina estão cada vez mais criativos. Os comerciantes que abastecem os artesãos não têm do que reclamar. O movimento de clientes nas lojas é constante o ano inteiro e, no último trimestre, é ainda mais intenso. Além de economizar, o consumidor confere à decoração e aos presente um toque especial.
Na opinião de Leila Dias, proprietária da Londrifios, o presente artesanal está no auge da moda por causa do simbolismo que carrega. Sua especialidade é vender linhas e tecidos utilizados, por exemplo, no acabamento de panos de prato, toalhas de banho, mesa e até cartões natalinos. ''Algumas padronagens já acabaram'', avisa a empresária que renova seu estoque a cada 20 dias nessa época. Segundo Lauro da Silva Filho, vendedor da Serilon, a procura de matéria-prima, normalmente, se estende até janeiro. ''Acredito que este ano devemos vender mais'', prevê.
Na Tricolândia, um dos atrativos são os cursos que ensinam o aluno a criar desde laços de fita até velas de mesa. De acordo com a gerente Andrea Borini, as salas de aula tornam-se menores com a proximidade do Natal. ''Além de mais bonitos o artesanato é mais barato'', defende a funcionária. Assim como Leila, a artesã Nanci Fátima Camargo Fenner expõe o trabalho de seus aprendizes à clientela. Como educadora social ela ensina crianças e adolescentes a transformar qualquer material em matéria-prima básica. Na Cia das Rocas, ela tem anjos feitos com palha de milho, cone de papelão e papel machê; presépios de madeira, cerâmica, estopa, fibras, linhas e cascas.
A ex-professora de matemática Tomi Kamiya Fukuyama deve passar os próximos meses rodeada por tintas e pincéis que darão vida aos personagens e ambientes natalinos confeccionados em MDF (tipo de madeira). A delicadeza dos traços atrai olhares sobre o Papai Noel que chega à sala num trenó bem acabado para deixar os presentes sob a árvore enfeitada com anjos, sinos e guirlandas mais resistentes.
O espírito natalino chega à cozinha com os panos de prato que Maria Lúcia Grandizoli bordou e arrematou com crochê. Desempregada aos 45 anos, ela achou que a aposentadoria tinha chegado e decidiu ocupar o tempo com trabalhos manuais. Descobriu que as prendas domésticas podiam render algum dinheiro e, sete anos mais tarde, às vezes Maria Lúcia precisa de ajudantes para dar conta das encomendas.
Nenhuma delas sobrevive do artesanato porque nossa cultura não valoriza à altura este tipo de trabalho. Segundo Nanci, a maioria dos seus clientes são futuros emigrantes que pretendem levar ao exterior a genuína arte brasileira. ''O uso de materiais recicláveis é visto com bons olhos pelos estrangeiros onde a preservação do meio ambiente é mais desenvolvida'', explicou. Com base no depoimento dessas mulheres, nota-se que o gosto pelo artesanato advém do interesse pelo diferente que, nestes casos, costuma ser exclusivo.

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