Curitiba O consumidor que for comprar arroz na semana que vem vai pagar acima de R$ 10,00 o pacote de 5 quilos das marcas mais tradicionais. O aviso é dos supermercadistas que estão encontrando dificuldades para negociar a compra do produto. Se for confirmada a tendência de alta no preço do arroz, a previsão é que os consumidores devem migrar para a compra de massas.
O problema é que o arroz já está caro. No último ano, o produto se valorizou entre 26% a 48%, dependendo do tipo. Agora, nova alta está sendo esperada para a próxima semana, quando se esgotam os estoques dos supermercados. Para o analista, José dos Santos, da corretora Correpar, não há oferta do produto. Os produtores gaúchos estão segurando a produção porque sabem que estão sem concorrentes. Na verdade, eles estão pressionando o mercado e estão conseguindo com que o preço suba em pleno período de safra.
No mês passado, início do período de colheita, o mercado até ensaiou uma queda no preço do arroz que não se sustentou. A produção no Rio Grande do Sul, maior Estado produtor, teve uma quebra de 10% a 15% em função de atraso no plantio, provocado por problemas climáticos. E nos países do Mercosul, que normalmente vendam ao País para completar o quadro de abastecimento, o clima também provocou a queda na produção. Além disso, em função do câmbio países como Uruguai e Argentina não estão interessados em vender ao Brasil, disse Santos.
A produção interna de arroz este ano deve atingir 11,1 milhões de toneladas para um consumo de 12,3 milhões toneladas, informou Richardson de Souza, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Para ele, o déficit de 1,1 milhão de toneladas é que está difícil de repor. Empresas de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul já estão se mobilizando para importar o produto dos Estados Unidos e da Ásia, mas o fato é que esse produto demora até ser internalizado.
Sabendo disso e por que estão capitalizados, os produtores gaúchos estão segurando a safra para forçar a alta de preços. Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul também são produtores de soja e por isso não estão com pressa de vender. Eles estão tranquilos o suficiente para segurar a produção, informou Souza.
Segundo o analista de mercado da Correrpar, uma indústria de Dourados no Mato Grosso do Sul pagou R$ 52,00 o fardo com 30 quilos de arroz. É certo que os preços do arroz variam de região para região, mas o fato é que o mercado já está aceitando a nova alta que está em curso.

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