Arroz e feijão mais caros impactaram no valor da cesta
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terça-feira, 08 de janeiro de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O preço da cesta básica fechou 2012 em alta em todas as 18 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Nove localidades apresentam alta acima de 10%, com as maiores elevações ocorrendo em Fortaleza (17,46%), João Pessoa (16,47%) e Recife (15,26%). As menores oscilações foram observadas em Vitória (5,63%), Porto Alegre (6,32%) e Goiânia (6,68%). O preço da cesta básica em Curitiba apresentou crescimento de 9,12%, acima da inflação prévia (IPCA-15) divulgada em dezembro, de 5,78%, mas entre as menores variações entre as capitais.
O resultado geral (alta de mais de 10% em dez locais pesquisados) foi impactado principalmente pelo aumento no preço do arroz e do feijão, ingredientes que fazem parte do dia a dia dos brasileiros.
Os valores subiram em todos os locais pesquisados, sendo que a maior variação do preço do arroz e do feijão foi registrada em Belém - 69,01% e 46,64%, respectivamente. A menor variação no preço do arroz foi registrada em Manaus (18,31%), e no feijão foi em Goiânia (23,41%). Em Curitiba, o produto que mais impactou na cesta básica foi a batata (alta de 49,57%), seguida do arroz (43,03%), tomate (33,19%) e feijão (31,81%). Já a carne (-5,58%) e o açúcar (-9,01) apresentaram redução no preço em 2012.
A mais tradicional combinação da culinária brasileira, conforme o economista do Dieese Sandro Silva, impactou no bolso dos consumidores principalmente por causa da redução da área plantada do arroz, o que ocasionou diminuição da oferta do produto no mercado interno, e também devido às adversidades climáticas no momento do plantio do feijão, resultado em queda de produtividade média das lavouras. "As fortes chuvas e estiagem atrapalharam o plantio de diversas culturas no início do ano passado, incluindo arroz, feijão e até a batata. Aliado a isso, o aumento das commodities nos mercados internacionais, como a soja, por exemplo, também influenciou neste resultado, impactando no valor do óleo de soja", disse o economista.
Por outro lado, destacou Silva, a crise internacional que fez com que o ritmo das exportações diminuísse foi responsável pela queda no preço de produtos como a carne e o açúcar. "Com a redução das exportações por causa da crise na Europa e nos Estados Unidos, e mais disponibilidade no mercado interno, os valores destes produtos caíram consideravelmente", completou.
Para 2013, Silva ressalta que a expectativa é de que os preços não subam tanto quanto o que foi verificado no ano passado. "Pelo que estamos observando junto aos analistas, a safra de 2012/13 deve ser bem melhor que a anterior e, até o momento, não houve grandes mudanças climáticas o que deve influenciar num resultado mais positivo. Tudo isso faz com que os preços dos produtos não tenham uma alta tão significativa como ocorreu no mesmo período de 2012. Nos meses de novembro e dezembro a variação da cesta básica já foi menor e a tendência é que até março e abril isso se repita. Não é que o preço da cesta básica vai despencar. Ele deve permanecer subindo, mas num ritmo bem menor", afirmou.
Dezembro
No mês de dezembro, houve aumento do preço da cesta básica em 15 capitais, com as maiores variações ocorrendo em Goiânia (10,61%), Rio de Janeiro (3,58%) e Brasília (3,41%). No mesmo período, três cidades tiveram queda nos preços: Natal (-2,75%), Vitória (-1,50%) e Aracaju (-0,76%). Em Curitiba, a variação fechou o mês em 0,17%. A cesta básica mais cara é a de São Paulo (R$ 304,90), seguida de Porto Alegre (R$ 294,37) e Vitória (R$ 290,89). O menor valor foi observado em Aracaju (R$ 204,06). Em Curitiba a cesta básica ficou em R$ 271,31.



