Arroba do boi inicia ciclo de alta
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segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O período de baixos preços da arroba do boi está ficando para trás. A escassa oferta do produto no mercado interno está dando início a um ciclo - de pelo menos dois anos - de boas cotações. Depois de amargar preços abaixo dos R$ 50 a arroba no início do ano, a tendência é que já no final deste mês a cotação atinja os R$ 60. No entanto, esses custos só deverão ser mantidos se não ocorrerem, novamente, problemas de ordem sanitária. No ano passado, a confirmação de focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná foram determinantes para a queda da cotação.
A incidência da aftosa levou diversos países importadores da carne brasileira a suspender a compra. Com isso, o produto foi direcionado para o mercado interno, o que contribuiu para a redução dos preços. Mas agora esse panorama foi invertido. Mesmo com a vigência dos embargos, atualmente, faltam bois para abate no mercado interno. A estiagem - que atingiu o País no primeiro semestre deste ano - levou os pecuaristas a descartar muitas cabeças entre maio e junho. Com as pastagens secas, o gado que ficou no campo não está pronto para o abate.
Já os pecuaristas que complementaram a alimentação dos animais estão optando por deixar o gado no pasto a espera de preços ainda melhores. Além disso, a maior parte do gado criado em confinamento só estará no ponto para abate entre o final deste mês e o início de setembro. A entrada deste novo produto no mercado deverá segurar a alta de preços. No entanto, não há projeções de queda. ''O preço da arroba vai continuar subindo, só que mais lentamente até atingir o pico, em outubro, que é período tradicional de entressafra'', observa Leonardo Alencar, consultor de mercado da Scot Consultoria, empresa privada de análises do agronegócio.
Entre o final de setembro e o início de outubro os embargos externos impostos à carne produzida em Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo poderão ser levantados. Isso poderá ocorrer porque, ao final do próximo mês, o Paraná deverá retomar o status de área livre de aftosa porque serão completados seis meses dos sacrifícios sanitários do rebanho suspostamente contaminado. Com a retomada do status, a tendência é que as exportações sejam retomadas. Os principais mercados externos são a Rússia e a União Européia. ''A Europa tem sérias críticas à rastreabilidade brasileira e pode não retirar os embargos'', avalia Alencar.
Futuro - Mas para que os pecuaristas escapem de uma eventual baixa de preços, no caso de uma nova incidência de problemas sanitários, uma alternativa pode ser o mercado futuro. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) a arroba está sendo negociada por R$ 65 para outubro de 2007. Além de ser considerado um bom indício, esse tipo de negócio evita riscos. ''Para que o pecuarista entre nesse mercado é preciso ter um planejamento detalhado do seu custo de produção. Não adianta arriscar'', salienta Alencar.
Aliás, o mercado futuro já foi adotado pelo pecuarista André Carioba, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), que cria gado em confinamento. Ele diz que já negociou na BM&F parte da sua produção para outubro do próximo ano para garantir o preço. O custo definido foi de R$ 60,80, a arroba. ''Há uma tendência de reajuste de preços, a não ser que ocorram novamente problemas de questões sanitárias'', argumenta. Segundo ele, a arroba cotada a R$ 53 não cobre os custos de produção dos pecuaristas. ''Um preço razoável seria entre R$ 57 e R$ 58'', afirma.


