Arroba do boi deve ter alta este mês
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quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A atual cotação da arroba bovina - que já ultrapassou os R$ 60 em algumas praças do Paraná - terá tendêcia de alta até o próximo ano. Projeções de analistas indicam que os bons preços devem se manter firmes devido à pequena oferta de gado no mercado. Estatísticas do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento mostram que desde o início do ano o preço médio de alguns cortes aumentaram em até 17%, enquanto o preço recebido pelo produtor pelo boi gordo teve alta de 11,5%.
Para o diretor do Instituto FNP (empresa privada de análises do agronegócio), José Vicente Ferraz, a cotação da arroba deverá ter alta de preços entre o final deste mês e o início de novembro e um pico mais forte em dezembro. ''O elevado abate de matrizes nos últimos anos, devido aos baixos preços, reduziu a produção de bezerros e de garrotes. Há pouca oferta de gado no mercado'', comenta. A sua estimativa é que nos próximos dias, a cotação da arroba seja elevada em mais R$ 1 ou R$ 2.
No entanto, para dezembro a expectativa é que a cotação atinja os R$ 70 em São Paulo e cerca de R$ 68 no Paraná. ''Os preços nunca chegaram a esse patamar. Com os preços atuais os produtores estão recuperando um pouco a rentabilidade, mas ainda é insuficiente para que eles voltem a investir na atividade'', argumenta Ferraz. Ele acrescenta que os atuais preços permitem uma rentabilidade de 4% a 5%, índice considerado baixo. ''Para que os produtores voltem a investir é preciso um retorno de 8% ou 9%'', avalia.
Já o consultor da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa, comenta que os frigoríficos estariam 'segurando' os abates para forçar a redução dos preços. ''Mas o mercado está firme porque a oferta está reduzida e até o final do ano os preços vão subir mais'', diz. Na sua opinião, os preços só irão cair se aumentar muito a oferta de gado confinado, em caso de excesso de chuvas, ou se forem registrados novos problemas sanitários. ''A demanda para setembro, outubro e novembro nos mercados interno e externo é de cerca de 3,5 milhões de cabeças por mês. É um volume difícil de atender'', comenta.
Segundo ele, não há números sobre abates no País porque cerca de 35% do serviço é feito sem nota fiscal. ''O mercado está em ajuste produtivo, o que garantiu preços firmes em plena safra (que ocorreu no primeiro semestre)'', afirma. O consultor acrescenta que a atual cotação permite que os pecuaristas voltem a investir na atividade, embora o preço não seja ''extremamente remunerador''. ''Os pecuaristas que investirem em gestão e tecnologia estão com resultados razoáveis'', diz.
No entanto, para que os investimentos fiquem mais consistentes, segundo ele, o preço da arroba teria que ficar na casa dos R$ 65. Para o coordenador de pecuária da Agro-Pecuária CFM, Luis Adriano Teixeira, após quatro anos de trabalho com receita inferior ao custo real de produção, os atuais patamares de preços estimulam investimentos. A prova da retomada, segundo ele, seria o aumento do preço do bezerro. Segundo o Índice Esalq/BM&F, o animal chegou a ser vendido por menos de R$ 340 e a cotação ultrapassou R$ 460/cabeça.
''O mesmo acontece com a venda de touros e matrizes, que mostram grande aquecimento na procura pelos criadores para compensar a reposição represada dos anos anteriores'', afirma Teixeira.


