O preço da carne se manterá em ascensão e terá suas maiores altas entre novembro e janeiro, período em que a arroba do boi poderá chegar a R$ 48,00 em São Paulo (R$ 43,00, ontem, pagamento em 30 dias para descontar Funrural).
Aquecimento da demanda, alta do gado magro de reposição, aumento das exportações e, principalmente, redução da oferta, são as causas do aumento.
A previsão foi feita ontem pelo consultor de mercado Victor Abou Nehmi Filho, diretor da FNP Consultoria & Mercado. A médio e longo prazos a previsão também é animadora para os produtores. As exportações devem aumentar de cerca de 660 milhões de toneladas, este ano, para 800 milhões ano que vem e cerca de 1 milhão de t em 2002, sendo 300 mil t para os Estados Unidos.
Na ampliação do mercado externo, Victor Abou Nehmi Filho destaca os Estados Unidos como o grande cliente brasileiro. ‘‘Os Estados Unidos vão fazer hambúrguer com carne do zebu brasileiro’’, prevê.
O plano de redução de subsídios à pecuária norte-americana prevê a redução da oferta para sustentação de preços internos. O Brasil é o país que reúne todas as condições para abastecer o mercado norte-americano.
O rebanho bovino norte-americano, de 103 milhões de cabeças, deve cair para 96 milhões em 2002, quando os EUA devem aumentar suas importações do Brasil. Já existem negociações para parcerias entre frigoríficos do Estado de São Paulo e indústrias norte-americanas.
Redução da oferta A redução da oferta interna - uma das variáveis que puxam o aumento dos preços da carne bovina -, acontecerá porque os pecuaristas vão retardar a entrega do boi gordo. Ao invés de entregarem o animal com 15 arrobas aos 34 a 35 meses, eles vão vender com 18 a 19 arrobas, aos 42 meses.
Isto será possível sem elevar o custo de produção pois coincide com um período de pastagens abundantes. Com isso, eles corrigem a relação de troca entre o boi gordo e o terneiro magro.
No momento, o pecuarista que se dedica à engorda está em desvantagem nesta relação de troca entre reposição e boi gordo. A relação está em 2 por 1 contra uma média histórica de 2,5 por 1. O preço do bezerro de um ano passou de R$ 210,00/cabeça, um ano atrás, para R$ 300,00 hoje.
As previsões de Victor Nehmi surpreenderam os próprios pecuaristas já que mercado vinha de uma fase de depressão. Caiu de R$ 43,00 em agosto para R$ 41,00/arroba dia 15 de setembro, só retomando o ritmo de alta nos últimos dias. A FNP havia previsto esta reversão de tendência. Victor falou ontem para os pecuaristas que participaram do 1º Leilão Rastreabilidade - Paraná Livre, promovido pela Rural Business Leilões em parceria com a Assepec, Assessoria e Comércio. Antes do leilão houve palestra do técnico Marcelo R.C. Pereira sobre a Agro1.com, uma rede de agronegócios pela Internet.

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