Arroba chega a R$ 41 e promete subir mais
Antônio José do Carmo
Agência Estado
No Paraná, preço ficou em R$ 38,00. Presidente da Sociedade Rural de Maringá acha que preço deve subir mais
A arroba do boi gordo voltou a subir ontem em São Paulo, puxando os preços nos demais Estados. Em Araçatuba a arroba foi negociada a R$ 41,00. Frigoríficos de exportação, como o Mouran, de Andradina (SP), que está abatendo 500 animais por dia, ajudam a manter os preços altos.
A bolsa de mercado futuro do boi está sinalizando R$ 45,00 ou US$ 22,50 o preço da arroba para meados de novembro. Mas a principal constatação dos frigoríficos é a falta de boi gordo em oferta.
O pecuarista Francisco Salles previa engordar 5 mil cabeças esse ano, mas, a exemplo de muitos outros produtores, está ampliando para um segundo turno a engorda em confinamento. São mais 4 mil animais que ele pretende pôr no mercado até dezembro. Para suprir a oferta de ração que não estava prevista no planejamento inicial, Salles está usando bagaço de cana hidrolizado, que é vendido pelas usinas de álcool da região. Atualmente, está pagando R$ 40,00 a tonelada do bagaço de cana usado na fabricação de álcool e açúcar na usina de Valparaíso (SP), distante poucos quilômetros da fazenda dele. Para ele, há dois fatores pressionando o aumento no preço da carne. Um deles é a falta de boi gordo provocada por uma seca prolongada, e o outro, os contratos de exportação de alguns frigoríficos que ajudam manter os preços altos, diz o fazendeiro.
Em Andradina, a Fazenda Guanabara, do Grupo Grendene,
também está concluindo o confinamento de 6,3 mil cabeças. A atividade era para ter sido encerrada há 40 dias. Mas o gerente Ilson Corrêa disse que a empresa decidiu engordar mais 2,5 mil animais, prevendo a falta de boi nos dois últimos meses do ano. Estamos entrando no terceiro turno de confinamento, disse Corrêa. A ração é preparada tendo como base o bagaço de cana produzido na usina de álcool Guanabara S.A. (Gasa), que também tem a Grendene como uma das acionistas. A Fazenda Guanabara iniciou as vendas de gado confinado por R$ 32,00 a arroba e poderá entregar os últimos animais por R$ 42,00 nas primeiras semanas de novembro. Aumento de 31,2% jamais previsto pelo setor, comentou Corrêa.
Em Pereira Barreto (SP), até dezembro, o município bate um recorde estadual de confinamento, com 50 animais engordados em apenas duas propriedades nos últimos dois meses. Numa delas, a Fazenda São Joaquim, do mineiro Olavo Barbosa, a ração para confinamento está sendo colhida agora, em plena estiagem, em lavouras de milho irrigadas.





