Milton DóriaPatrimônioTorno mecânico da retificadora Metrópole é colocado no caminhão: bens são avaliados em R$ 50 milA 3ª Junta de Conciliação e Julgamento do Ministério do Trabalho concedeu a dez funcionários da retificadora Metrópole, que funcionava na vila Casoni - zona leste de Londrina -, o arresto das máquinas que ainda se encontravam na sede da empresa. A liminar foi cumprida ontem à tarde. Foi necessário chamar um chaveiro para arrombar as portas.
O valor dos bens é de aproximadamente R$ 50 mil e equivale à parte do que a empresa devia aos funcionários em salários, férias, 13º e Fundo de Garantia, entre outras dívidas trabalhistas. São compressores, tornos, máquinas mandrilhadeiras e máquinas de coluna. Estão relacionados também no mandado judicial medidores de precisão, como paquímetros e micrômetros, mas estes não foram encontrados na empresa.
Em dezembro do ano passado, os funcionários já tinham conseguido outra liminar e tomaram equipamentos no valor de R$ 65 mil. Entre os bens estavam soldas, prensas, furadeiras, plainas, tornos e retífica de bielas, todos utilizados no conserto de motores de carros e caminhões. Na época, o proprietário da Metrópole levou esses equipamentos para Rolândia e vendeu, supostamente, para outra empresa. Ainda assim, os trabalhadores conseguiram tomar os bens através da concessão de uma carta precatória.
De dezembro para cá, quando conquistaram a primeira parte dos equipamentos, os dez ex-funcionários da Metrópole montaram uma espécie de cooperativa para continuar trabalhando. Eles se instalaram provisoriamente na vila Iara (também zona leste), onde pegam serviços de retífica e montagem de motores de carros de passeio. Os lucros são divididos conforme o volume de serviço. Com os novos equipamentos, conquistados ontem, será possível também fazer trabalhos em motores de caminhão e ônibus, que dão melhor retorno financeiro.
‘‘Desde novembro não recebemos nada da empresa. E antes disso já não recebíamos em dia. Estávamos passando dificuldades e ainda estamos, mesmo com a cooperativa. Agora, com as novas máquinas, vai dar para pegar serviço maior e o lucro deve aumentar também’’, diz Antônio Stringuetta, um dos dez ex-funcionários da Metrópole.
Ontem, quando o chaveiro conseguiu abrir as portas da Metrópole, o cenário que os funcionários encontraram foi de desolação. Embora estivesse fechada apenas desde o final do ano passado, a empresa parecia estar abandonada há vários anos.
Moacir Barboza Vigira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, explica que até julho os funcionários deverão procurar uma sede definitiva para a nova empresa. Neste mês será julgado pedido de embargo solicitado à Justiça pela empresa de Rolândia, que teria comprado parte das máquinas.

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