Arrecadação não cresce sem mudança na lei, diz Salomão
Kraw PenasSalomão: Arredação é desculpa para justificar a troca do secretárioO ex-secretário da Fazenda e secretário do Planejamento, Miguel Salomão, afirmou ontem que a arrecadação tributária do Estado não aumentará sem que haja uma mudança na Lei Kandir, que determinou a desoneração de impostos da exportação e de produtos agrícolas. Não pense que o Giovani Gionédis conseguirá fazer milagres, afirmou Salomão. A queda de arrecadação tributária foi usada como instrumento para pressionar o governador Jaime Lerner a tirar Salomão da Fazenda e colocar em seu lugar o chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, considerado mais habilidoso no trato político com prefeitos e deputados.
Salomão contesta a informação de queda na receita estadual. Dizer que a arrecadação caiu é um farsa. Foi uma desculpa que fez parte do interesse para justificar a troca do secretário, afirmou. Para provar o que diz, o secretário mostra números. A arrecadação de ICMS foi de R$ 2,9 milhões, em 1995, e de R$ 3,1 milhões, no ano passado. O aumento foi de R$ 200 milhões. Salomão assegura ainda que houve um crescimento na transferência de recursos federais e um aumento no gasto com os servidores. A folha de pagamento saltou de R$ 130 milhões para R$ 230 milhões mensais.
Sem querer demonstrar abalo com a troca de função, ele brinca com a mudança dizendo que agora está no lugar certo. Acho que sempre tive mais perfil de Sherlock Homes, que usa os neurônios para trabalhar, do que de xerife, que precisa ter músculos para segurar a pressão daqueles que querem liberar recursos antecipadamente, disse Salomão, em entrevista à Rádio CBN.
Após o período de turbulência e desgaste que sofreu na Fazenda, Salomão pensa agora em fortalecer a Secretaria do Planejamento. Ele assume o cargo na próxima terça-feira e tem planos de recuperar o estilo de megasecretaria, que a pasta tinha na época em que era comandada pelo atual prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT). Enquanto esteve à frente do Planejamento, Taniguchi tinha poderes para definir os principais projetos para o Estado. Era sua equipe que negociava os investimentos, como por exemplo, a atração das montadoras.
Com a saída de Taniguchi para concorrer à Prefeitura, o Planejamento ficou com o secretário de Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, que acumulou as duas funções. Em seguida, a vaga serviu para acomodar o ex-prefeito Rafael Greca (PDT). Devido a uma lei aprovada na Assembléia Legislativa, que transferiu a execução do orçamento para a Fazenda, o Planejamento se esvaziou.
Salomão pretende provar que a sua saída da Secretaria da Fazenda não representará perda de poder nem de vontade de trabalhar. O Planejamento voltará a ter a posição estratégica que tinha, isto é, encontrar soluções para os desafios do governo. Ele dá ainda um recado ao seu sucessor: é fundamental fazer uma programação financeira, ordenando despesas. Sempre defendi isso, mas a proposta não estava sendo cumprida pelo governo do Estado.(Carmem Murara)





