Arrecadação nacional diminui 3,1% em junho
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terça-feira, 18 de agosto de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O fraco desempenho industrial causado pela crise econômica foi o principal responsável pela queda de 3,1% da arrecadação pela Receita Federal no País em julho sobre o mesmo mês de 2014, quando ficou em R$ 104,8 bilhões no País, pior resultado para o mês desde 2010. No acumulado desde janeiro, a redução foi de 2,9% e o montante, de R$ 712 bilhões, também foi o pior resultado em cinco anos para o período, conforme dados divulgados ontem pelo órgão.
No Paraná, os R$ 5 bilhões de julho representam queda menor, de 1,4%, ante o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, os R$ 35,8 bilhões indicam redução de 3,1% sobre os mesmos sete primeiros meses de 2014, de acordo com a 9ª Região da Receita Federal. A representação da arrecadação do Estado em relação ao recolhimento em todo o Brasil ficou em 5,0% de janeiro a julho de 2015.
O assessor da Superintendência da 9ª Região, Vergilio Concetta, afirmou que os números da produção industrial de junho no Paraná foram um pouco melhores do que os nacionais. No comparativo daquele mês com relação ao mesmo período do ano anterior, houve alta de 6,0% no Estado e queda de 3,2% no País. "Mesmo sendo positivo, podemos ver que não houve diferença expressiva no acumulado do ano", disse.
Concetta lembrou, entretanto, que houve desaceleração da arrecadação previdenciária, que estava positiva no acumulado do ano até os balanços mensais anteriores e ficou negativa no fechamento de julho. Houve desaceleração no resultado de sete meses no Estado, quando ficou em R$ 11,8 bilhões ante R$ 12 bilhões do mesmo período de 2014. Questionado se seria motivado pelo maior desemprego no mês, ele considerou que toda a atividade econômica desacelerou.
O chefe do centro de estudos tributários e aduaneiros da Receita no País, Claudemir Malaquias, disse estar surpreso com a queda das receitas previdenciárias. "Surpreendentemente, receitas previdenciárias apresentaram queda refletindo a baixa da massa salarial e uma redução da receita", ressaltou Malaquias.
Para o professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Estado e União têm dificuldades em reduzir despesas e as menores arrecadações devem implicar em menos recursos para investimentos em setores como saúde e educação. Ele lembrou ainda que houve aumento de impostos, como a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) dos combustíveis, a recomposição do IPI e o reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas com resultado menor do que o esperado. "O superavit primário, que é o percentual da receita que sobraria para o pagamento de dívidas, também fica mais comprometido", explicou. Ainda, disse que não há expectativa de recuperação do nível de recolhimento tributário no médio prazo.
A queda na produção industrial foi o principal motivo do recuo na arrecadação no acumulado do ano. A redução na produção foi de 5,82% de janeiro a julho sobre igual período de 2014. A queda impacta no recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Também as vendas de bens e serviços impactaram no valor obtido pelo Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que caíram 3,49% no mês e 5,67% de janeiro a julho. A massa salarial, por sua vez, cresceu 4,91% em julho e 5,44% de janeiro a julho. (Com agências)


