Pelos cálculos da Receita, a arrecadação tributária bruta (governos federal, estadual e municipal) subiu de R$ 478,25 bilhões, em 2002, para R$ 542,75 bilhões, apresentando uma queda real (com correção da inflação) de 1,31%. Enquanto as receitas da União tiveram uma queda real de 2,01%, a participação dos Estados no total da carga do País aumentou 0,04% e a dos municípios cresceu mais ainda: 2,13%. Esse aumento do peso da carga dos municípios está associado, principalmente, à decisão de algumas prefeituras de elevar o IPTU. Já boa parte da queda observada na carga da União reflete o fato de que, em 2002, o governo federal teve uma série de receitas atípicas, como o pagamento de impostos atrasados dos fundos de pensão, que não se repetiram em 2003.
Para 2004, porém, a expectativa é de que ocorra um aumento da carga. Em novembro, ao participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o ministro Palocci já havia admitido a possibilidade de a carga aumentar devido ao impacto do forte crescimento da economia na arrecadação.
Para o tributarista Roberto Quiroga, sócio da Mattos Filho Advogados, a carga tributária deve aumentar em 2004 principalmente por causa da pressão da nova Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do PIS, que também passaram a ser cobrados nas importações. ''A carga é altíssima se comparada aos serviços públicos que o governo oferece. O contribuinte paga e não recebe nada em troca'', criticou Quiroga.
Segundo Andréa Lemgruber, o valor da carga tributária brasileira está na média da dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 36,9% do PIB. A carga brasileira, no entanto, é maior do que a da Nova Zelândia (34,9%), Austrália (30,1%) e México (18%).

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