Arrecadação maior garante superávit primário em janeiro
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
O aumento de 22% na arrecadação federal em relação a janeiro de 2000 garantiu ao setor público um superávit primário (não inclui juros) de R$ 5,628 bilhões nas contas do mês passado, o correspondente a 6,07% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, que divulgou os números ontem, foi o melhor resultado primário para o mês desde 1991.
Em janeiro de 2000, este superávit havia sido de R$ 4,094 bilhões. Enquanto o governo central contribuiu com R$ 3,182 bilhões no resultado deste ano, a participação dos governos estaduais e municipais chegou a R$ 2,446 bilhões.
No resultado dos governos regionais, os Estados fecharam o mês com o superávit de R$ 1,202 bilhão e os municipais com outros R$ 797 milhões. As empresas estatais estaduais registraram o superávit de R$ 431 milhões, enquanto as municipais tiveram um resultado de R$ 16 milhões.
Os Estados obtiveram este resultado porque, além do aumento da arrecadação federal, que eleva as transferências, também cresceu a receita de ICMS, afirmou Lopes. Ele disse que o crescimento da arrecadação do ICMS chegou a 20%.
Lopes considerou ainda que outra contribuição para o superávit veio da redução das despesas do INSS que passaram de R$ 726 milhões em janeiro de 2000 para R$ 641 milhões no mês passado. Por outro lado, a desvalorização de 0,80% do real em janeiro teve impacto na conta de juros do setor público e elevou o déficit nominal.
Os gastos totais com juros em janeiro último chegaram a R$ 9,255 bilhões. Dessa forma, o déficit nominal ficou em R$ 3,627 bilhões. Em dezembro, o resultado nominal havia sido negativo em R$ 8,344 bilhões.
Este mês, segundo Lopes, a desvalorização cambial acumulada até ontem já havia sido de 3,64%. Mas ele considera que é um efeito pontual.
De acordo com o chefe do Depec, a oscilação do câmbio neste mês tem ocorrido por causa da instabilidade na Turquia e a apreensão do mercado em relação ao ritmo do crescimento da economia nos Estados Unidos. Resolvidas estas expectativas o câmbio retoma a sua trajetória e tende a se acalmar, afirmou. Questionado sobre a crise na base política do governo que também provocou impacto na cotação do câmbio, Lopes disse que isso também passa.
Com este percentual de desvalorização, no entanto, o chefe do Depec adverte que haverá uma despesa maior com juros em fevereiro, o que deverá provocar, segundo ele, um resultado primário inferior ao de janeiro.


