Os tributos federais recolhidos somaram R$ 427,9 bilhões de janeiro a abril de 2016, menor valor desde 2010, considerando valores atualizados pela inflação (IPCA). O valor representa queda real de 7,91% em relação ao mesmo período do ano passado. A recessão econômica é considerada o fator que derrubou a arrecadação federal.
A Receita Federal (RF) divulgou ontem os dados da arrecadação do quarto mês de 2016, que caiu 7,10% pelo 13º mês consecutivo. Em todo o País, R$ 110,895 bilhões foram absorvidos pela RF. Em março, as receitas haviam recuado 6,96% na comparação com março do ano passado.
A queda na arrecadação é hoje uma das principais dificuldades enfrentadas pelo governo para equilibrar as contas públicas. O governo Michel Temer já trabalha com um deficit (diferença entre receitas e despesas) de cerca de R$ 150 bilhões para 2016, acima dos R$ 97 bilhões calculados pela administração anterior. Já há cálculos, no entanto, de que o rombo possa passar de R$ 200 bilhões.
Por isso, a nova equipe econômica tem defendido reformas para reduzir despesas, como a previdenciária, cuja arrecadação caiu 5,6% no primeiro quadrimestre. O governo também não descarta apoiar a volta da CPMF.
Com o aumento do desemprego, a arrecadação da Previdência caiu R$ 7,2 bilhões no ano, acima da perda de receita com o Imposto de Renda/CSLL das empresas e com o PIS/Confins, ambos de R$ 6,2 bilhões. O quarto maior destaque foi a perda de R$ 5,6 bilhões com os tributos sobre importações.
No sentido oposto, o governo arrecadou R$ 1,9 bilhão a mais com Cide-Combustíveis, que voltou a ser cobrada há cerca de um ano, e R$ 982 milhões a mais com IR sobre rendimento com ganho de capital.
A revisão de algumas desonerações no ano passado ajudou a diminuir a renúncia fiscal em R$ 7,9 bilhões. Desse valor, R$ 3,2 bilhões se referem à regra da desoneração da folha de pagamentos.

Montadoras
Setores com mais peso na arrecadação estão tendo um desempenho pior neste ano, o que explica o motivo de a retração nas receitas apontar uma queda do PIB maior que os cerca de 4% estimados pelo mercado e pelo governo, segundo a Receita.
As indústrias veículos e metalurgia, que estão arrecadando 30% a menos, se destacam. Os setores de construção civil, máquinas e equipamentos e informática/eletrônicos recolheram cerca de 25% a menos.
Entre as empresas, apenas os bancos estão recolhendo mais tributos (aumento de R$ 6 bilhões). Contribuiu para isso o aumento da carga tributária sobre esse setor.

Paraná
No Estado, o acumulado da arrecadação de janeiro a abril foi de R$ 21,1 bilhões em valores atualizados pelo IPCA, com um decréscimo de 6,16% em comparação com igual período de 2015. Nos quatro primeiros meses do ano passado, R$ 22,5 bilhões chegaram aos cofres públicos. No mês de abril, a arrecadação no Paraná atingiu os R$ 5,8 bilhões, com queda de 5,07% em relação ao mesmo período do ano passado. O quarto mês de 2015 terminou com arrecadação de R$ 6,1 bilhões no Estado em valores corrigidos pelo IPCA. Os valores do Paraná representam uma fatia de 5,31% do total arrecadado no País.
Para Vergílio Concetta, assessor do gabinete da Superintendência da 9ª Região da Receita Federal, o baixo desempenho industrial brasileiro tem grande peso sobre os resultados da arrecadação em todo o País, inclusive no Paraná. Enquanto no Brasil esse indicador teve queda de 11,4%, no Paraná o índice caiu 6%. A venda de bens e serviços também teve impacto sobre a arrecadação, com decréscimo de 7,9% no País e 7,6% no Estado. "O desempenho industrial e a venda de bens e serviços influenciam diretamente a arrecadação. Quase todos os nossos tributos vêm do faturamento e do lucro das empresas."(Com Folhapress)

Imagem ilustrativa da imagem Arrecadação federal tem pior desempenho em seis anos
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