Os brasileiros pagaram R$ 969,907 bilhões em impostos federais e contribuições previdenciárias no ano passado, um acréscimo de R$ 163,2 bilhões em relação aos R$ 805,7 bilhões recolhidos em 2010. Descontada a inflação de 6,5%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o aumento real foi de 10,1% - um pouco maior que o aumento real de 9,85% em 2010 na comparação com 2009.
Essa foi a maior arrecadação já registrada no País, de acordo com números divulgados pela Receita Federal do Brasil. A arrecadação do mês de dezembro, no total de R$ 96,632 bilhões, também foi recorde mensal, com recolhimento de R$ 5,750 bilhões a mais que no mesmo mês de 2010. Diferença insuficiente, porém, para cobrir a inflação do período. Portanto, a variação mensal anualizada foi negativa em 2,69%.
Segundo a série histórica da Receita, iniciada em 2003, o aumento percentual anual da arrecadação federal em 2011 não foi o mais alto. O recorde, em termos reais, continua com os 11,09% contabilizados em 2007, no auge da atividade econômica. Os outros aumentos registrados foram de 1,85% em 2003, de 10,6% em 2004, de 5,65% em 2005, de 4,48% em 2006, de 7,68% em 2008, além do recuo de 3% em 2009, em decorrência da crise financeira internacional iniciada no ano anterior.
O tributo que mais contribuiu com a arrecadação foi o imposto de renda, que recolheu R$ 249,818 bilhões no ano, com aumento de 19,99% sobre os R$ 208,201 bilhões do ano anterior. No bolo das receitas tributárias, o imposto de renda aumentou sua participação de 25,19% para 25,76%. A segunda maior fonte de recursos para o Fisco foi a Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), com R$ 158,079 bilhões, crescimento de 13,16% em relação ao ano anterior e 16,30% do todo.
Impostômetro

De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike, entre os principais fatores que têm motivado o acréscimo da arrecadação estão a melhoria da situação econômica do País, cujo Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento e a maneira que os tributos são cobrados - desde a produção até o consumidor final -.
Além disso, ele cita a ''eficiência'' da Receita Federal em fiscalizar os pagamentos por meio de procedimentos eletrônicos. ''Isso faz com que os contribuintes que sonegavam o pagamento de seus impostos fiquem em dia com as obrigações fiscais'', diz.
Conforme divulgado pelo IBPT no final do ano passado, a previsão de arrecadação geral do impostômetro para 2011 chegou a R$ 1,5 trilhão. ''Ele é completo porque inclui os tributos estaduais e municipais. A arrecadação federal representa 70% da geral'', esclarece.
Olenike diz que ainda é cedo para estimar como ficará o impostômetro neste ano. Mas adianta que o de janeiro deve ser inferior se comparado proporcionalmente ao mesmo período de 2010. ''Isso se deve à diminuição do PIB provocada pela crise europeia'', aponta. ''Entretanto, não tem como traçarmos uma previsão para os próximos meses porque tudo vai depender da conjuntura do País'', reitera. (Com Aline Vilalva/Reportagem Local)

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