Curitiba - O governo federal arrecadou R$ 84,212 bilhões em impostos e contribuições em setembro, resultado recorde para o período. Na comparação com igual mês do ano passado, houve crescimento real (descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA) de 1,71%. Os dados foram divulgados ontem pela Receita Federal. Enquanto isso, no Paraná, a arrecadação foi de R$ 4,4 bilhões em setembro e teve queda de 2,22% em relação ao mesmo mês do ano passado.
No acumulado do ano até setembro, a arrecadação federal no País somou R$ 806,446 bilhões, alta de 0,89% na comparação com o mesmo período do ano passado, também descontado o IPCA. No Paraná, a arrecadação nos primeiros nove meses do ano foi de R$ 43,431 bilhões e ficou praticamente estável com alta de apenas 0,06%.
O assistente do gabinete da superintendência da Receita para o Paraná e Santa Catarina, Vergílio Concetta, explicou que, um dos motivos que levou à queda de arrecadação no Estado em setembro foi um grande contribuinte da área de prestação de serviços que mudou a sede da empresa do Paraná para São Paulo. No entanto, ele não revelou o nome da companhia. Isso representou uma perda mensal de R$ 244,6 milhões para a Receita no Estado.
Além disso, o recolhimento de impostos com parcelamento de tributos tem sido menor. Concetta explicou que há empresas que desistiram do parcelamento ou já terminaram de pagar. O parcelamento é previsto na Lei 11.941. Ele acredita que este tipo de arrecadação possa ter uma recuperação porque agora foi reaberto o prazo para parcelamentos até 31 de dezembro.
Outro motivo que prejudicou a arrecadação em setembro, segundo ele, foram as desonerações que o governo federal tem oferecido para as indústrias. Em setembro, os principais valores obtidos pela Receita no Paraná foram referentes à arrecadação previdenciária (34,27%), Cofins (20,83%), Imposto de Renda (17,97%) e Imposto de Importação e Exportação (6,49%).
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), João Eloi Olenike, basta ter aumento de preços no Brasil, para ocorrer elevação na arrecadação.
Segundo ele, o crescimento de 1,71% na arrecadação nacional em setembro pode ser um sinal que a economia brasileira está tendo uma aceleração, o que poderia contribuir para um resultado melhor para o Produto Interno Bruto (PIB) do que se está esperando neste ano. No entanto, ele não deixou de destacar a voracidade do governo federal por arrecadação de tributos. Olenike também criticou o fato de o governo não realizar uma reforma tributária no País.
Ele acredita que, com o atual desempenho da economia, a arrecadação federal deve ter crescimento nominal neste ano. Isso porque a inflação está em patamares elevados e a arrecadação um pouco menor com o crescimento do PIB. Prevê ainda uma arrecadação geral de R$ 1,62 trilhão, dos quais US$ 1 trilhão seriam tributos federais. (Com agências)

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