Arrecadação fecha semestre com queda de 3,36% no PR
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
Andréa Bertoldi <br> Reportagem Local 
A arrecadação de tributos e contribuições federais no País cobrados pela Receita Federal fechou o primeiro semestre com R$ 607,208 bilhões, o que representou uma redução em termos reais de 2,87% na comparação com o mesmo período do ano passado. No Paraná, a arrecadação no semestre atingiu R$ 30,592 bilhões, valor 3,36% menor que os R$ 31,657 bilhões dos seis primeiros meses de 2014.
No Estado, os tributos que mais contribuíram para o resultado do semestre foram Imposto de Renda (R$ 7,237 bilhões), Cofins (R$ 5,230 bilhões) e a arrecadação previdenciária (R$ 9,917 bilhões).
Em junho a arrecadação no Brasil somou R$ 97,091 bilhões, o que representa uma queda real de 2,44% na comparação com o mesmo mês de 2014. Com relação a maio, o resultado traz um aumento de 5,03%. Os dados foram divulgados ontem pela Receita Federal. O saldo do mês passado é o maior para meses de junho desde 2010, quando a arrecadação ficou em R$ 87,285 bilhões.
No Paraná, a arrecadação de junho foi de R$ 4,889 bilhões, volume 2,66% menor que os R$ 5,023 bilhões contabilizados no mesmo mês do ano passado, de acordo com informações da superintendência regional da Receita Federal.
Para o advogado tributarista e diretor da Pactum Consultoria Empresarial, Gilson Faust, a queda na arrecadação está diretamente relacionada à redução do nível da atividade econômica. "Se o governo não tivesse diminuído as desonerações da folha de pagamento e retornado com as alíquotas normais do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a queda na arrecadação seria ainda maior", disse.
Segundo ele, a desconfiança atual no cenário político também trava novos investimentos. Faust disse ainda que a queda na produção industrial e na atividade de bens e serviços influencia muito no recolhimento de impostos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em maio, a produção industrial caiu 8,80% no Brasil e 10,1% no Paraná. A venda de bens e serviços caiu 10,4% em maio no Brasil.
Faust lembrou que, tradicionalmente, a arrecadação de tributos sempre é melhor no segundo semestre do que no primeiro, mas em um ambiente de estabilidade política. Para o fechamento deste ano, ele prevê que a arrecadação pode fechar com números negativos, já que a recuperação da economia vai ser gradual e todos os indicadores apontam para queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015.
Nos primeiros seis meses do ano, o governo abriu mão de arrecadar R$ 54,882 bilhões por causa das desonerações, um aumento de 14,28% em relação ao mesmo período do ano passado. Em junho, as desonerações concedidas pelo governo totalizaram R$ 7,748 bilhões, uma renúncia fiscal menor que no mesmo mês de 2014 (R$ 8,159 bilhões).
A desoneração de folha de pagamento foi de R$ 1,866 bilhão em junho e de R$ 11,196 bilhões nos seis primeiros meses do ano. No mesmo período de 2014, a desoneração com o programa foi de R$ 9,410 bilhões.
Em junho, a arrecadação com Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) despencaram. Na comparação com igual mês do ano passado, o tombo foi de 22,46% para o imposto e recuo de 22,79% para a contribuição. No mês passado, a arrecadação do IRPJ foi de R$ 6,131 bilhões e a da CSLL, de R$ 3,379 bilhões. (Com agências)


