São Paulo – Enquanto o rendimento anual médio do trabalhador da Grande São Paulo caiu 8,9% no ano passado, a Receita Federal registrou crescimento expressivo de 19,92% na arrecadação do Imposto de Renda das Pessoas Físicas. O total passou de R$ 3,383 bilhões, em 2000, para R$ 4,057 bilhões.
Esse é o valor pago pelos contribuintes depois de fazer a declaração anual de ajuste. A maior parte da arrecadação, no entanto, vem do imposto retido na fonte, no qual os descontos são feitos no ato de recebimento dos rendimentos. Esse montante subiu de R$ 39,679 bilhões para R$ 43,866 bilhões, um crescimento de 10,55%.
O diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sérgio Mendonça, disse que, apesar da base de comparação ser diferente, já que o resultado do IR é referente a todo o País, é uma contradição. ‘‘De um lado o brasileiro está cada vez mais pobre e, de outro, o governo está cada vez mais rico.’’
Mendonça lembrou ainda que o congelamento da tabela do IR contribuiu muito para esse resultado. O rendimento médio real do trabalhador caiu de R$ 880 para R$ 966. Segundo ele, as condições salariais continuarão desfavoráveis para o trabalhador.
‘‘O crescimento de apenas 3% do PIB não será suficiente para reverter o alto índice de desemprego e, consequentemente, melhorar os salários’’. Na melhor das hipóteses, disse ele, a renda ficará estável.
Os dados da Receita indicam ainda que, em 2001, o IR arrecadado das Pessoas Jurídicas aumentou apenas 2,10%. O volume passou de R$ 16,634 bilhões para R$ 16,984 bilhões. Já a receita total do IR cresceu 8,7% no ano passado, chegando a R$ 64,9 bilhões.

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