O ano nem acabou e a delegacia regional da Receita Federal do Brasil (que compreende 63 municípios) já bateu recordes de arrecadação. De janeiro a setembro foram recolhidos R$ 1.063.021.835,00 - o maior resultado alcançado pelo órgão - de tributos federais, exceto as contribuições previdenciárias. Além da unificação da Receita Federal e do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), o resultado é atribuído à mudança de domicílio administrativo e, consequentemente, fiscal de grandes empresas para a região. Os nomes das empresas são protegidos pelo sigilo fiscal mas, algumas delas, seriam do setor de call center.
A quantia recolhida pela delegacia de Londrina nos nove primeiros meses do ano é 85% maior do que o arrecadado no mesmo período de 2006 (R$ 573.216.913,00) e 28% superior ao tributado durante o ano passado inteiro (R$ 825.240.238,00). Nesse mesmo período as contribuições previdenciárias cresceram 30%, uma vez que o INSS registrou arrecadação de R$ 680.628 milhões. ''A unificação causou efeitos psicológicos e práticos. O monitoramento e o acompanhamento das grandes empresas foi incrementado'', observa Sérgio Gomes Nunes, delegado da Receita Federal do Brasil, em Londrina.
Para o delegado-adjunto da Receita David Oliveira houve a melhora no desempenho do órgão porque as ações fiscais desenvolvidas ''buscam quem está fora do sistema'', ou seja, vão atrás dos sonegadores. ''A unificação racionalizou os trabalhos'', comenta. Se for considerada apenas o desempenho da Receita Federal do Brasil (entre maio e setembro), a delegacia de Londrina obteve um resultado bem superior ao alcançado na 9 Região Fiscal (que engloba Paraná e Santa Catarina) e no País, que registraram crescimento de 23,63% e 15,20%, respectivamente, na comparanção com o mesmo período do ano passado. Londrina ainda alcançou o melhor desempenho percentual do Estado.
''Se as migrações das empresas não tivessem ocorrido, o índice de crescimento da arrecadação regional seria semelhante ao resultado do INSS (que obteve resultado 30% maior)'', diz Oliveira. Ele lembra que o resultado do aumento da arrecadação trará benefícios aos municípios, uma vez que 80% da verba que compõe o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é referente aos impostos gerados nas próprias cidades. O restante do FPM - 20% - é calculado sobre o número de habitantes e o Índice de Desenvolvimento Humano.
Do total de impostos recolhidos pela delegacia regional, o tributo que mais contribuiu para o resultado foi a Cofins. A arrecadação deste imposto cresceu 192% na comparação com o ano passado, ultrapassando R$ 233 milhões. Em seguida, a maior participação foi do IRRF (imposto descontado na fonte dos assalariados) que ultrapassou R$ 69 milhões, um aumento de 116%; o PIS/Pasep também teve importante contribuição com R$ 56 milhões recolhidos, com crescimento de 169%.

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