A arrecadação do Imposto de Renda (IR) Pessoa Física cresceu 49,6% na região de Londrina neste ano com relação a 2007, atingindo R$ 31.489.601,81. A Delegacia da Receita Federal de Londrina recebeu 233.400 declarações (em uma área de 63 municípios), volume 1% superior ao estimado inicialmente. ‘‘O crescimento da arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Física reflete o aumento da massa salarial. Mais pessoas estão declarando ou mudando a faixa de rendimentos’’, avalia Sérgio Gomes Nunes, delegado da Receita Federal em Londrina.
  Os números da Delegacia da Receita Federal são apenas de abril, mas retratam os dados obtidos neste ano porque se referem ao primeiro pagamento das declarações de ajuste anual (ano-base 2007), enquanto os resultados alcançados desde o início do ano ainda mostram resíduos do ano anterior. Nos primeiros quatro meses de 2008 a arrecadação de IR ultrapassou os R$ 41,5 milhões, volume 55% maior do que o atingido em 2007. ‘‘A região está em um momento econômico positivo com o aumento da renda e do desempenho do comércio e a agricultura também está em um bom momento’’, comenta.
  Do total arrecadado em abril, o maior crescimento percentual (+63,5%) ocorreu no segmento ‘‘acréscimos legais’’, que mostram os resultados das operações fiscais com autuações e recuperação de impostos não pagos anteriormente. Neste item o volume chegou a R$ 1 milhão. Em seguida, o maior índice foi obtido em ‘‘quotas e declarações’’ (imposto a pagar) com um resultado positivo de 51%. O total recolhido chegou a R$ 26.922.522,67. Os carnês-leão (pagos por profissionais liberais) e os ganhos de capital tiveram um incremento de 44,4%.
  Uma informação que reflete a realidade local foram os ganhos de capital na alienação de bens duráveis (incluídas as transações imobiliárias), que tiveram um
aumento de 124,4% neste
ano com relação a 2007. Os impostos declarados somaram R$ 5.218.921,94. Ganhos de capital na alienação de bens (com moedas estrangeiras) cresceram 155% no mesmo período, atingindo R$ 16,7 mil. Os números também mostram que a população regional está mais cautelosa com as aplicações em bolsas de valores uma vez que os ganhos líquidos declarados em operações neste ano caíram 3,3% com relação a 2007, ficando em R$ 475 mil.
  O trabalho da Receita também é feito para evitar informações incorretas. Tanto que os contribuintes incluídos em malha fina são, em sua grande maioria, os que cometeram erros simples. ‘‘Do total das declarações incluídas na malha fina apenas 1% a 3% são por fraude’’, comenta. Por isso, a Receita disponibiliza em seu site (www.receita.fazenda.gov.br) informações sobre a evolução da análise da declaração. Esse mecanismo foi implantado para estimular a correção de informações e não tem caráter punitivo. No último ano, o número de contribuintes incluídos em malha caiu cerca de 50%.
  Para o delegado a sonegação de IR está mais difícil do que em anos anteriores. ‘‘Mas também não podemos acreditar que é impossível. Temos que continuar com os monitoramentos e cruzamentos de informações porque se a evolução tem permitido um controle maior, também irão surgir novas tentativas de burlar o Fisco.’’ Ele lembra que a lei permite investigações sobre os últimos cinco anos de rendimentos declarados e que ‘‘muitos contribuintes’’ já foram selecionados pela Receita por apresentar informações incorretas nas declarações de ajuste nos últimos cinco anos.
  Além disso está em fase de implantação um programa que utiliza a inteligência artificial para análise de transações de comércio exterior. O objetivo é verificar comportamentos fora do padrão de gastos, rendimentos e sócios não incluídos. Neste caso, o programa irá apontar os desvios, mas a verificação qualitativa ainda ficará a cargo do auditor. ‘‘As possibilidades de sonegação estão aumentando e os riscos estão ficando maiores, mas ainda temos que nos aprimorar.’’

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