Brasília - Apesar da retomada da economia brasileira, a arrecadação de impostos e contribuições pela Receita Federal do Brasil ainda patina, o que deve obrigar o governo a fazer uma nova revisão das receitas previstas para o ano. Em setembro, o recolhimento de impostos registrou uma queda real (corrigido pelo IPCA) de 11,29% em relação a setembro de 2008, totalizando R$ 51,5 bilhões. Foi a 11 queda consecutiva na comparação com o ano anterior.
Com esse resultado, a arrecadação no ano chegou a R$ 483,6 bilhões, ainda bem distante da meta de R$ 737 bilhões para 2009, prevista no Relatório de Avaliação divulgado em setembro pelo Ministério do Planejamento. Para atingir a meta, o Fisco teria que recolher, em média, R$ 84,5 bilhões em outubro, novembro e dezembro, algo considerado impossível pelos técnicos da Receita.
Pelos cálculos da consultoria Tendências, mesmo com uma aceleração da atividade econômica, a arrecadação deve ter uma baixa real entre 5% e 6% na comparação com 2008, atingindo R$ 675 bilhões em dezembro. Mas o coordenador geral de Estudos, Previsão e Análise da Receita Federal, Raimundo Elói de Carvalho, tentou manter o otimismo. ''É possível que não consigamos igualar 2008. Mas podemos recuperar alguns meses'', afirmou.
No acumulado do ano, a arrecadação teve queda de 7,83% em relação ao mesmo período de 2008. Parte desse tombo é explicada pelas desonerações de impostos, que provocaram uma baixa de arrecadação de R$ 19,5 bilhões, compensações de tributos (R$ 5,3 bilhões) e inadimplência de empresas (R$ 3,3 bilhões).
O forte tombo da arrecadação em setembro foi concentrado nas receitas administradas pela Receita Federal (não incluem taxas e contribuições recolhidas por órgãos específicos), que somaram R$ 50,253 bilhões, ou seja, um recuo de 11,37% na comparação com o mesmo período de 2008. O governo pensava que o pior já tinha passado e que o fundo do poço tinha sido fevereiro, quando o recolhimento de tributos despencou, em termos reais, 11,13%.
Separando das receitas administradas as receitas previdenciárias, que desde o início da crise têm crescido por conta do aumento da massa salarial, as demais receitas, como já antecipou o Estado, caíram 16,04%, somando R$ 34,594 bilhões. ''Em algum momento o recolhimento de tributos vai acompanhar a recuperação da economia'', ressaltou Carvalho.

mockup