Arrecadação de impostos gerou superávit
O acúmulo de recursos a serem gastos no final do ano está diretamente ligado à grande elevação na arrecadação de impostos a receita líquida deve ter crescimento de 13,9% no ano. ''De novo, tivemos o milagre da arrecadação extra não fosse por isso, o superávit tinha ido pro saco, porque as despesas aumentaram'', diz Raul Velloso, especialista em finanças públicas. ''Mas esse processo está esgotado, não podemos elevar a carga tributária para sempre.''
Com isso, há uma sobra para ser queimada nesses dois últimos meses do ano desde que o governo penda para o lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e resolva acelerar os gastos, para apenas manter o mesmo superávit do ano passado.
Mas o governo pode optar por elevar o superávit, como quer a Fazenda. ''Daqui para frente, o governo vai precisar gastar essa sobra'', diz Guilherme Loureiro, economista da Tendências Consultoria Integrada. ''Mas é importante dizer que o superávit poderia ter sido menor se o governo não tivesse gasto seu excedente de arrecadação e das estatais com aumento dos gastos correntes.''
Raul Velloso estima que os investimentos do governo central devem encerrar o ano em queda em 2004 foram de 0,4% do PIB e, neste ano, deverão ficar entre 0,3% e 0,35% do PIB, ''valores muito baixos''. Entre 1947 e 2003, o investimento do governo manteve a média de 1,3% do PIB. ''O importante é moderar despesas correntes, abrindo espaço para o investimento'', diz Montero. ''O primário fiscal recorde reduz dívida/PIB, mas sua decomposição mostra ajuste de má qualidade, apoiado em crescimento da arrecadação e de despesas.'' (P.C.M.)





