Arrecadação cresce 2,68% em agosto e 0,79% em 2013
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O governo federal arrecadou R$ 83,956 bilhões em impostos e contribuições em agosto, recorde para o período. O resultado representa crescimento real de 2,68% em relação ao mesmo período de 2012, descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os dados foram divulgados ontem pela Receita Federal.
No acumulado do ano, a arrecadação federal somou
R$ 722,234 bilhões, alta de 0,79% na comparação com o mesmo período do ano passado, também descontado o IPCA. Em termos nominais, a arrecadação aumentou R$ 48,658 bilhões de janeiro a agosto deste ano, sem a correção, pela inflação, dos valores arrecadados no mesmo período do ano passado.
De acordo com a Receita, entre os principais fatores que influenciaram a arrecadação está o desempenho dos principais indicadores macroeconômicos, incluindo a produção industrial, com crescimento de 1,35% entre dezembro de 2012 e julho de 2013, e a venda de bens e serviços (3,96% na mesma comparação).
Houve ainda, no período, aumento da massa salarial, de 11,65% e do valor em dólares das importações, com acréscimo de 4,63%. Todos os percentuais com fato gerador em julho e influência na arrecadação de agosto.
"Os dados parecem comprovar a lenta recuperação da economia que se iniciou nos últimos meses". A avaliação é do economista da Rosenberg & Associados Rafael Bistafa. De acordo com ele, o crescimento da arrecadação vinha numa trajetória de desaceleração desde 2011, que se acentuou em 2012, atingindo o fundo do poço em abril, com queda de 1,4% no período de 12 meses em relação ao mesmo período encerrado em abril do ano passado, em termos reais.
A partir de então, a trajetória de crescimento da arrecadação começou a melhorar, chegando a uma expansão de 0,28% em agosto, na mesma base de comparação. Este dado é um cálculo feito pela Rosenberg & Associados e, segundo Bistafa, não indica uma melhora muito expressiva. "Indica apenas que a trajetória da arrecadação parou de piorar", disse em entrevista ao Broadcast.
Desonerações
A Receita Federal estimou uma perda de arrecadação de R$ 7,059 bilhões em agosto com desonerações tributárias. Essa perda de arrecadação foi 48,62% maior do que a registrada no mesmo período de 2012, quando as desonerações somaram R$ 4,750 bilhões. No ano, a Receita calculou um volume de desonerações, até agosto, de R$ 51,050 bilhões ante R$ 29,712 bilhões no mesmo período do ano passado, uma alta de 71,81%.
Para João Eloi Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a desoneração é "muito positiva", mas ainda pouco significativa. "Em agosto, o governo deixou de arrecadar um valor correspondente a pouco mais de 8% do total da arrecadação. Isso é pouco. Precisaria ser 15%, 20%", defende.
Ele ressalta que, quando desonera, o governo perde de um lado, mas ganha do outro. "Quando você tira parte do imposto de alimentos, por exemplo, a população passa a consumir mais. Isso é muito bom", acredita. Segundo o presidente do IBPT, o Brasil vai bater hoje o recorde de R$ 1,1 trilhão de impostos arrecadados em 2013, incluindo as tributações estaduais e municipais. (Com agências)



