Arrecadação bate recorde: R$ 17,5 bi
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sexta-feira, 08 de março de 2002
Agência Folha 
São Paulo A arrecadação total de impostos e contribuições federais em fevereiro somou R$ 17,503 bilhões, valor recorde para o mês. Em relação a fevereiro de 2001, esse montante foi, em termos reais (corrigido pelo IGP-DI), 20,32% superior.
Entre os principais fatores para o crescimento, estão os pagamentos dos fundos de pensão referente a impostos em atraso com a Receita, que totalizaram em fevereiro R$ 1,326 bilhão.
Além disso, algumas instituições financeiras anteciparam o pagamento do imposto de renda de pessoa jurídica e da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) referente à declaração de ajuste de 2001, cujo prazo final seria março. A antecipação dos dois tributos somou R$ 783,7 milhões.
A arrecadação de impostos e contribuições federais administrados pela Receita Federal registrou um crescimento real descontada a variação da inflação, pelo IGP-DI de 42,73% entre 1994 e 2001. Esse é o resultado do Estudo Tributário, feito pela Coordenação-geral de Política Tributária da Receita Federal. O estudo mostra a evolução da arrecadação de impostos desde o início do Plano Real e as alterações feitas na legislação tributária, principalmente, após 1995, ano em que o secretário Everardo Maciel assumiu o comando da Receita.
De acordo com o levantamento, excluindo-se as variações do IGP-DI (121,10%) e de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do período, que foi de 18,55%, as alterações na legislação e outros fatores relevantes, como aumento de alíquotas de impostos, foram responsáveis pelo crescimento real da arrecadação em 31,6%.
A coordenadora-geral de Política Tributária, Andréa Viol, afirmou que esse incremento mostra o substancial esforço da Receita Federal para fechar as brechas da legislação. Ela ressaltou que, mesmo com os diversos choques que atingiram a economia, ao longo desses anos, a arrecadação de impostos foi sempre crescente a cada ano.
Entre as alterações tributárias que permitiram o aumento da arrecadação, está a elevação da alíquota do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) sobre aplicações financeiras de renda fixa e as mudanças na forma de tributação. Em 1996, a alíquota passou de 10% para 15% e, em janeiro de 1998, passou para 20%.
Outra alteração positiva para os cofres da Receita foi a ampliação da tributação da Cofins. A alíquota passou de 2% para 3% sobre o faturamento, independente da atividade exercida pela empresa. Entre 1994 e 2001, o valor arrecadado com a Cofins registrou crescimento real de 107,17%.
Outro destaque do estudo, diz respeito à substituição tributária, ou seja, a cobrança do imposto em apenas uma ponta da cadeia produtiva, evitando assim a sonegação. Antes, esse mecanismo era utilizado apenas para os setores de cigarros e combustíveis, para a cobrança de PIS e Cofins. Desde 1999, a substituição tributária foi ampliada para o setor automotivo, englobando o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), o que ampliou a arrecadação.


