Arrecadação bate novo recorde e cresce 4,08%
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A arrecadação de impostos e contribuições federais pela Receita Federal atingiu R$ 118,364 bilhões em dezembro e fechou 2013 em R$ 1,138 trilhão, ambos valores recordes. O crescimento real em relação a 2012 é de 4,08%. O resultado foi beneficiado por recolhimentos extraordinários de impostos, o que acabou compensando as pesadas desonerações tributárias no período.
A Receita deixou de arrecadar R$ 77,794 bilhões em 2013 em função das desonerações tributárias. O impacto dos cortes de tributos aumentou 67,43% em relação a 2012, quando foi registrada perda de R$ 46,464 bilhões.
Se o governo não tivesse reaberto o programa de refinanciamento para devedores (Refis), a arrecadação teria registrado um crescimento de apenas 2,35% em 2013. Com o recolhimento de R$ 21,786 bilhões com o Refis, a alta da arrecadação foi de 4,08%.
A elevação das receitas administradas foi ainda maior, de 4,36%. Por outro lado, as receitas não administradas apresentaram queda de 3,41% no ano passado. Segundo a Receita Federal, a retração das receitas não administradas se deve à queda de 5,31% no pagamento de royalties sobre a exploração do petróleo. O governo recebeu no ano passado R$ 32,773 bilhões em royalties, ante R$ 34,611 bilhões em 2012. "Para ter um explicação sobre esta queda tem que procurar quem administra royalties do petróleo. Não fizemos uma análise", informou o coordenador de previsão e análise adjunto da Receita, Marcelo Gomide.
O maior impacto das desonerações ao longo do ano foi com a desoneração da folha de salários, que somou R$ 13,190 bilhões. O governo também deixou de arrecadar R$ 11,481 bilhões com a desoneração da Cide-Combustíveis, medida adotada para diminuir o impacto da alta do preço da gasolina para o consumidor final e para ajudar no controle da inflação. Já a desoneração do IPI somou R$ 11,822 bilhões.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), João Eloi Olenike, os recordes consecutivos de arrecadação estão relacionados ao "aparato de controle eletrônico" implantado pela Receita Federal. Ele afirma que, com o advento da nota fiscal eletrônica, está cada vez mais difícil para o brasileiro sonegar. "Há também o efeito daquelas pessoas que eram informais e agora estão se formalizando", declara.
Olenike lamenta que o governo tenha feito o Refis (programa de renegociação com devedores) porque ele "incentiva o mau pagador". "O certo seria o governo fazer a reforma tributária, baixar impostos, e todo mundo pagar", afirma.
O economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse, ressalta que o governo se esforçou em buscar receitas extraordinárias para manter o superavit primário (economia para pagamento de dívidas). "Aí temos um equilíbrio frágil, que gera suspeitas sobre a política fiscal", destaca.
Segundo ele, a não correção da tabela do imposto de renda também tem ajudado o governo a bater recordes de arrecadação, inclusive acima do Produto Interno Bruto (PIB), que no ano passado deve ter crescido cerca de 2%. Porsse acredita que a arrecadação em 2014 deve bater novo recorde em função da volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para vários produtos. (Com Agência Estado)

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