O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, considerou ontem que os movimentos de alta na cotação do dólar ‘‘são de natureza defensiva e temporária’’. Depois de dar ordens de silêncio a todos os diretores ao longo do dia, Fraga distribuiu uma nota de quatro linhas, no início da noite, garantindo que ‘‘o Banco Central está atento aos movimentos do mercado financeiro’’. E salientou que ‘‘os fundamentos da economia brasileira permanecem sólidos e permitem que atravessemos esses momentos de turbulência’’.
Ao distribuir a nota, a assessoria do BC afirmou que seria um ‘‘comentário rápido e curto’’ sobre o dia do mercado. Depois veio a informação de que a nota, embora não tivesse assinatura, seria de Fraga. A exemplo do que ocorria no mercado, o clima no BC foi tenso.
De acordo com um diretor, todos fecharam um pacto de silêncio. ‘‘Combinamos não falar’’, afirmou, explicando porque o BC silenciou ante a instabilidade que assolou o mercado financeiro e levou o dólar à cotação recorde de R$ 2,2700, na máxima do dia. Foi o momento em que o BC decidiu agir e anunciou ao mercado o leilão de R$ 2 bilhões em títulos cambiais – as Notas do Banco Central – série Especial (NBC-E). Na avaliação do diretor, não seria uma frase de alguém do BC que poderia levar o mercado à calmaria – teste que não pôde ser feito porque a nota com a avaliação de Fraga só foi divulgada depois do fechamento do mercado.
No Ministério da Fazenda, o dia também foi de tensão e preocupação com os boatos que correram, à tarde, sobre uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom). Um assessor do ministro Pedro Malan admitiu que uma reunião extraordinária do Copom poderá acontecer. Mas isso somente no caso de a situação na Argentina se agravar. ‘‘E não quando houver somente boatos’’, afirmou. Ele prevê que o dólar vai continuar subindo no curto prazo. ‘‘Mas no longo prazo não há como o dólar permanecer neste nível’’, apostou.

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