As primeiras aparições das lagartas Helicoverpa armigera aconteceram no Brasil em março do ano passado. A praga polífaga, que se alimenta de várias culturas (por volta de 180 espécies de plantas), causou furor no meio rural, principalmente entre os produtores de soja do País e do Paraná, que tiveram as lavouras atacadas.
Ontem, durante o último dia de trabalhos da 34ª Reunião de Pesquisa de Soja, que aconteceu em Londrina, os agricultores receberam uma ótima notícia para o controle da praga nas próximas safras. Um levantamento realizado por pesquisadores da Embrapa Soja em áreas da oleaginosa do Paraná, revelou que a taxa média de mortalidade das lagartas dessa espécie pela ação de inimigos naturais (parasitoides, patógenos e nematoides) fechou em média de 60,9% no Estado, o que confirma a ação positiva destes organismos no controle da praga.
A cada 100 lagartas encontradas nas lavouras do Estado, 60 foram mortas por outros indivíduos que naturalmente já fazem parte do ambiente e que não devem ser eliminados pelos produtores pelo uso de inseticidas. A natureza, em boa parte das vezes, faz o controle sozinha. Os autores da publicação foram os pesquisadores Beatriz Corrêa Ferreira, Clara Beatriz Hoffmann Campo e Daniel Sosa.
O estudo consistiu na avaliação de 1.387 lagartas coletadas entre outubro de 2013 a abril de 2014, em 16 municípios do Estado. As amostras foram observadas no laboratório de Entomologia da Embrapa quanto à ocorrência de agentes naturais de mortalidade. O grupo dos parasitoides, principalmente as moscas, é o que mais contribuiu para redução populacional da Helicoverpa nas lavouras de soja do Paraná, causando 48,9% de mortalidade.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Soja Clara Beatriz Hoffmann, o índice de parasitismo foi muito maior do que o esperado, principalmente levando em consideração que a lagarta está nas lavouras brasileiras há pouco mais de um ano. "O resultado foi muito bom. Aqueles produtores que controlavam a lagarta no campo com mais intensidade ficaram entusiasmados. Eles viram que não é necessário fazer aplicações maciças de inseticidas", explica ela.
De fato, as aplicações abusivas são prejudiciais porque os inimigos naturais da lagarta acabam morrendo durante o processo, podendo agravar a atuação das pragas, além de aumentar os custos de produção. A recomendação, portanto, é o manejo integrado de pragas, no qual o produtor descobre a população de pragas na sua lavoura por área, através do método do pano. "Encontrando um número de 20 lagartas por metro (dependendo do caso), aí sim é necessário aplicar o inseticida."
Outro fator extremamente importante é que no início do desenvolvimento da soja – quando surgem as primeiras lagartas Helicoverpas – o produtor dê preferência a inseticidas menos agressivos, seletivos aos inimigos naturais, como o baculovírus e o Bacillus thuringiensis, com formulações biológicas que controlam a lagarta e não afetam seus inimigos naturais. "Os inseticidas matam tudo, mas as lagartas que permanecem em pouco menos de um mês já se reproduziram muito e aí não haverá inimigos naturais para combatê-las", completa a pesquisadora.

Imagem ilustrativa da imagem Arma no controle da Helicoverpa