Buenos Aires - Os argentinos saíram frustrados ontem das agências bancárias do centro financeiro de Buenos Aires. Após mais de 20 dias de feriado bancário, o ambiente era de confusão e revolta. Muitos portenhos se dirigiram aos bancos para tentar saber o que vai acontecer com as dívidas, os depósitos em dólares, as contas não-pagas, a pagar, as operações de prazo fixo e, principalmente, como recuperar os depósitos em dólar. Mas depois de enfrentar filas em busca de informações, se depararam com funcionários ainda despreparados para responder às particularidades de cada situação.
‘‘Quis saber o que mudou com a minha hipoteca e saber qual o tamanho da minha dívida agora, que tudo mudou. Mas a funcionária não soube responder à maior parte das minhas perguntas’’, disse a aposentada Maricarmen Diaz, ao sair da maior agência do Banco de La Nacíon Argentina em Buenos Aires, em frente à Plaza de Mayo. ‘‘A nós só nos interessa saber como conseguir um prazo menor para retirar nossos dólares, mas ninguém dá nenhuma orientação’’, disse Enrique Cumbre, que só tem conta em dólares, no valor de US$ 31 mil. Por falta de pesos, ele está sem pagar a maioria das contas. Ex-funcionário do Ministério da Fazenda, diz que faz alguns bicos para conseguir alguns pesos.
Pouco antes da abertura dos bancos, que aconteceu às 10h (11h de Brasília), o gerente de uma das agências do BBVA-Banco Francês se dirigiu à fila formada na porta do banco e adiantou aos clientes que a agência só tinha condições de operar como no dia anterior, nos moldes do feriado bancário.
Ele admitiu que as novas regras ainda não estavam claras e que, por isso mesmo, o ‘‘sistema operativo do banco não podia funcionar’’.
Ele foi cercado pelos clientes, mas as únicas respostas que foi capaz de dar às perguntas foram: ‘‘tudo está como ontem’’; ‘‘não se mexe na conta em dólares’’; e ‘‘ainda não há mesas de câmbio’’. O funcionário pediu que alguns clientes, com perguntas específicas, voltassem mais tarde ou na segunda-feira. Alegou que não houve tempo suficiente entre ontem à tarde, quando as medidas foram publicadas, e a manhã de hoje para treinar os funcionários.
No Banco Piano, um dos maiores operadores de varejo de moedas estrangeiras, por volta das 9h45 os funcionários ainda estavam reunidos com a gerência tentando tomar pé das novas medidas do governo.
A maioria dos clientes queria saber como recuperar seus fundos em dólares.
Outros queriam renovar as aplicações de prazo fixo, saber como ficam as hipotecas, descontar cheques e pagar contas. Poucos conseguiram.

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