Argentinos querem o fim da importação de sapato brasileiro
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
France Presse<bR>De Buenos Aires 
Empresários e trabalhadores da indústria de calçado pediram ontem em frente ao edifício do Ministério das Relações Exteriores da Argentina a imediata suspensão das importações de produtos brasileiros, em um grande protesto, durante o qual atiraram os sapatos na calçada.
Quase dois mil manifestantes carregavam árvores de Natal construídas com sapatos, enormes bandeiras argentinas e cartazes de protestos. Eles expressaram o mal-estar com a crise que afeta o setor e entregaram uma petição ao vice-chanceler, Horacio Chighizola.
''Calçado brasileiro é igual a um desempregado argentino'' ou ''Calçado brasileiro = mais miséria para o argentino'', foram algumas das frases escritas nos cartazes. Enquanto gritavam frases de protesto contra a importação brasileira, empresários e empregados tiravam os sapatos em frente ao edifício do Ministério.
Os manifestantes deram a volta pelo edifício, mas não entraram na sede da Chancelaria, pois foram contidos pela polícia. ''Aqui se expressou a necessidade de encontrar uma solução para os problemas do setor, que são as importações desmedidas de produtos brasileiros, subsidiados por uma desvalorização de sua moeda, que torna artificial sua competitividade'', disse à imprensa o presidente da Câmara da Indústria do Calçado, Carlos Bueno.
Bueno advertiu que ''se não forem adotadas medidas urgentes, ficaremos sem indústria'' e destacou que ''no início dos anos 90 existiam 2.500 fábricas, das quais 1.700 fecharam''. Também denunciou que ''enquanto em 1991 foram importados 660.000 pares de calçados do Brasil, nos primeiros meses deste ano foram 20 milhões''.
Miséria Os governos federal e provinciais tentavam ontem desativar na Argentina a explosiva situação social criada pela crise econômico-financeira, com a distribuição gratuita de alimentos e outros subsídios. Os programas de emergência foram a reação oficial aos últimos saques a supermercados e outros incidentes em bairros pobres.


