Argentinos querem novas barreiras contra produtos brasileiros
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segunda-feira, 27 de setembro de 2004
Agência Estado 
Buenos Aires - Depois da imposição de barreiras temporárias a uma série de produtos, restringindo sua entrada no mercado argentino, o governo do presidente Néstor Kirchner volta à carga contra os eletrodomésticos brasileiros. Desta vez, não satisfeito com as limitações provisórias, o empresariado local pretende arrancar do Brasil a adoção de mecanismos ''permanentes''.
As geladeiras brasileiras estão no centro das negociações. Os dois lados concordaram em uma cota de 18.160 unidades mensais em agosto e setembro. Mas, no momento, com a cota completa, já não entram geladeiras brasileiras na Argentina. Concluído o prazo de 60 dias, os dois lados sentarão à mesa, na Secretaria de Indústria e Comércio em Buenos Aires, para discutir o assunto e definir o cenário dos próximos meses. Além do setor de geladeiras, reúnem-se representantes de empresas de máquinas de lavar roupa.
Há dois meses, após o fracasso nas negociações entre empresários de ambos países para definir uma auto-limitação das companhias do Brasil, o governo Kirchner estabeleceu licenças não-automáticas para a entrada de máquinas brasileiras no mercado argentino. Estas licenças consistem em um elevado nível de demoradas barreiras burocráticas, que desestimulam as importações destes produtos.
Os fabricantes de fogões também estarão presentes. Em julho, os negociadores argentinos conseguiram que o lado brasileiro aceitasse uma auto-limitação para o envio de 90 mil unidades este ano. No primeiro semestre do ano que vem, a cota seria de 47.500 unidades.
Representantes dos dois países também pretendem discutir, na quinta-feira, as barreiras que a Argentina impôs aos televisores produzidos na Zona Franca de Manaus. Desde julho, por um período de 200 dias, estes aparelhos são taxados com uma tarifa extra de 21,5% para entrar em território argentino.
Na contramão dos confrontos comerciais em diversos setores, os empresários de celulose e papel do Brasil e da Argentina renovarão hoje os acordos anuais iniciados em setembro de 1999. Naquela época, depois de um duro confronto no qual os argentinos acusavam os brasileiros de ''invadirem'' o mercado local com seus produtos, os dois lados chegaram a um entendimento.


