‘‘Devemos agir com prudência, porque conseguimos muito com a construção do Mercosul, e não podemos nos arriscar a jogar tudo pela janela por causa de medidas apressadas’’. Desta forma, o ministro da Economia da Argentina, Roque Fernández, referia-se à reunião dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, na qual será avaliado o impacto da crise econômica no Mercosul.
A reunião, segundo o Secretário de Planejamento Estratégico da Argentina, Jorge Castro, ‘‘será para ratificar de forma clara o caráter prioritário que o Mercosul possui para a Argentina’’. Castro disse que o que essa ratificação possui de especial ‘‘é que será feita no momento da crise’’. Segundo o Secretário, ‘‘a crise nos fortalece’’.
Apesar da aparente disposição do governo argentino em ir a Campos do Jordão com um discurso light, e de medidas de consenso, o empresariado está pressionando para que sejam aplicadas medidas protecionistas.
‘‘Reação histérica’’ foi a expressão usada por Fernández para definir o comportamento do empresariado argentino diante dos efeitos da crise brasileira na indústria local, que alertam constantemente sobre uma invasão de produtos provenientes do Brasil. Fernández sustenta que ‘‘a situação não é tão grave como dizem’’, e que ‘‘talvez houve um aumento nas importações de chocolates, mas são setores que não têm repercussão sobre o comércio geral’’. A compra de chocolate brasileiro cresceu 700% no mês de janeiro, dado que foi suficiente para provocar pânico no empresariado local.
Fernández criticou os empresários, afirmando que a posição argentina não poderá ser dura com o Brasil, já que ‘‘isso poderia causar que o Brasil fechasse as portas, o que poderia ser muito mais grave’’. A posição do governo argentino foi reforçada pelo secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Campbell, que declarou à imprensa que ‘‘não haverá cotas nem serão aplicadas medidas de salvaguardas para restringir as importações provenientes do Brasil’’.
Para amenizar a difícil situação de diversos pequenos e médios empresários argentinos, o Banco de La Nación anunciou um programa de refinanciamento das empresas que têm dívidas por causa de créditos com o banco. Calcula-se que as dívidas atinjam US$ 500 milhões, e que 30 mil empresas seriam beneficiadas com o programa. Desde o começo da crise brasileira, as vendas das pequenas e médias argentinas caíram 30%.

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