Buenos Aires - Os empresários argentinos - que na semana passada aplaudiram a decisão do governo de aplicar medidas de restrição aos têxteis provenientes do Brasil por meio de licenças não-automáticas - agora querem que outros produtos brasileiros que supostamente também estariam ''invadindo'' a Argentina sejam o alvo de medidas protecionistas.
O anúncio foi feito pela Confederação Argentina da Média Empresa (Came), que afirmou que com a aplicação das licenças, o governo do presidente Néstor Kirchner ''avança no caminho correto para defender a indústria nacional e corrigir as assimetrias comerciais com o Brasil''.
Segundo a CAME, ''é uma ameaça a tendência que projeta a relação comercial com o Brasil, especialmente no intercâmbio dos bens industriais''. A Confederação argumenta que é preciso adotar medidas de restrição aos eletrodomésticos made in Brazil, já que as importações desses produtos teriam aumentado 192% em 2003 em comparação com 2002. A importação de máquinas elétricas, segundo essa organização, teria crescido 156%.
Além disso, a Came pede medidas contra a entrada de peças para ferrovias, que registraram um aumento de 682%. Também houve ''invasões'' de brinquedos (crescimento de 170%), calçados (382%) e máquinas agrícolas (198%).
Os empresários alegam que o comércio entre os dois países mostra uma crescente defasagem no tipo de produtos industriais que passam entre os dois lados da fronteira. Em 2003, o Brasil enviou US$ 4,115 bilhões em manufaturas de origem industrial para a Argentina (um aumento de 105,54% em comparação com 2002). No entanto, as vendas de produtos industriais deste país para o mercado brasileiro não passaram de US$ 2,289 bilhões (queda de 5,53% em relação a 2002).
Segundo o economista Dante Sica, presidente do Centro de Estudos Bonaerenses (CEB), os dois países ''parece que se encaminham a um cenário no qual a Argentina se torna uma provedora de bens com menores conteúdos tecnológicos e de design, e um Brasil industrializado, com uma inserção crescente extra-zona, através de produtos manufaturados com maior valor agregado''.

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