Além de derrubar o livre comércio, avaliam os diplomatas, a reunião em que Brasil e Argentina decidiram criar salvaguardas em caso de desequilíbrio no comércio bilateral, não produziu um compromisso mais consistente dos ministros brasileiros e argentinos em torno da rediscussão da TEC. Terminada a reunião, a Tarifa Externa Comum continua descumprida pela Argentina, que não observa as alíquotas previstas pelo Mercosul para bens de informática e telecomunicações, bens de capital, veículos e bens de consumo provenientes de países fora do bloco. Os especialistas acham que a reunião poderia ter chegado a uma solução mais construtiva, como a suspensão dessas iniciativas pela Argentina.
Outro sinal positivo teria sido o lançamento das discussões sobre a redução das alíquotas para alguns setores em um período definido de tempo. Isso marcaria a disposição do Mercosul de diminuir o caráter protecionista da sua estrutura tarifária e de expor seus setores produtivos à competição mundial, avaliam.
Essas análises, entretanto, não são unânimes dentro do Itamaraty. Um dos cardeais da casa, o embaixador Sérgio Amaral acredita que o resultado da reunião marcou a disposição do governo brasileiro manter-se solidário com a Argentina e de reabrir um canal de diálogo que permanecia fechado desde julho, quando o país vizinho começou a descumprir a TEC.
Amaral é o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foi uma das autoridades brasileiras presentes à reunião de terça-feira. ''A decisão foi realista. Criamos condições para equacionar os problemas pendentes dentro de um prazo e para resolver os que vierem a aparecer'', afirmou.
O ministro não conta nenhum dos detalhes sobre o processo que levou a essa solução. Indicou apenas que a disposição de solidariedade foi recomendada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso que, no dia anterior, havia se reunido com o presidente da Argentina, Fernando De la Rúa. Amaral ainda reforçou a análise de que o novo cenário internacional criado pelos atentados terroristas aos Estados Unidos e pelo conflito no Afeganistão, deverá agravar ainda mais a crise vivida pelo país vizinho e repercutir na economia brasileira. (AE)

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