Os argentinos não acreditam na desvalorização do peso em relação ao dólar. A maioria da população descarta qualquer alteração cambial por causa da proximidade das eleições presidenciais, que acontecem em outubro deste ano. ‘‘O presidente Carlos Menem já está com a popularidade em baixa e não seria louco de mudar o câmbio agora’’, disse o comerciante argentino Raúl Fernández.
Na semana passada, a reportagem da Folha conversou com um assistente do candidato do partido do governo à presidência, Eduardo Duhalde, na cidade de Paraná, na Província de Entre Rios, na Argentina. O assistente, que se identificou apenas pelo nome de Gabriel, garantiu que o candidato manterá a paridade, caso seja eleito. ‘‘O que está acontecendo é um grande mal-entendido. Os boatos são decorrentes de declarações dadas à imprensa inglesa pelo ministro Domingo Cavallo, que foram mal interpretadas’’.
O diretor da Estação Experimental Agropecuária Paraná, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), da Argentina, Ruben Moresco, acredita que o país sucumbiria à desvalorização do peso porque os empresários portenhos ainda têm uma mentalidade especulativa muito arraigada. Moresco falou à Folha na última sexta-feira, durante visita de uma comitiva de agropecuaristas paranaenses àquela Estação, promovida pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná, Senar e Sebrae.
‘‘Ao contrário do que ocorreu no Brasil com a desvalorização do real, teríamos uma inflação duas vezes maior do que a desvalorização da moeda argentina. Estamos fortemente atados com a paridade, apesar de sabermos que o peso está caro internacionalmente’’, afirmou Moresco. ‘‘A desvalorização seria péssima para as exportações de grãos e leite da Argentina’’.
Para o empresário Marcelo Rivas, há muitos especuladores interessados em ganhar dinheiro com a crise portenha. ‘‘O próprio George Soros quer fazer o mercado despencar’’. (leia ao lado)
A taxa de desemprego na Argentina é de cerca de 15%. O salário mínimo é de US$ 350. Os aluguéis de imóveis de tamanho médio em Buenos Aires custam em torno de US$ 500. O preço de uma lata de Coca-cola, usado para comparações internacionais, varia de US$ 1 a US$ 3,50

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