Argentinos livram-se do peso nas casas de câmbio
Os argentinos estão lotando as casas de câmbio atrás de dólares e reais brasileiros. Eles querem se livrar do peso antes que a cotação da moeda baixe ainda mais. Na cidade de Puerto Iguazú (fronteira com o Brasil e distante 10 quilômetros de Foz do Iguaçu), hospitais, correios e prefeitura voltaram a funcionar normalmente ontem, após a greve geral de 24 horas deflagrada na sexta-feira, em protesto contra o plano de ajuste e corte de salários proposto pelo governo De la Rúa.
Na aduana argentina, poucos motoristas aguardavam a liberação para cruzar a fronteira. Os 30 funcionários da fiscalização trabalharam normalmente (anteontem, apenas 13 fiscais vistoriavam os veículos). A fila de caminhões, que contou com 50 veículos no dia anterior, diminuiu pela metade.
Enquanto os comerciantes locais calculavam os prejuízos acumulados com as poucas vendas (mesmo em época de férias escolares), as casas de câmbio da cidade registravam grande movimento. Segundo o proprietário da Argecam, Sérgio Santa Cruz, cerca de 500 pessoas passaram pela empresa, somente durante a manhã de ontem, para trocar pesos argentinos. Muitos estão fazendo o câmbio aqui porque em Foz e Ciudad del Este (Paraguai), a cotação está muito baixa, disse o empresário, citando que muitas lojas brasileiras e paraguaias estariam cotando o peso a R$ 2,00, quando deveria estar a R$ 2,43. Ontem, as casas de câmbio em Foz compravam a moeda do país vizinho a R$ 2,35 e o dólar a R$ 2,53.
Santa Cruz comentou ainda que boa parte da população está simplesmente trocando a moeda nacional por dólares, com medo que ocorram mais desvalorizações. O soldado Juan Carlos Oveja, que visitava a região ontem, confirmou a preocupação dos argentinos. Eu mesmo troquei US$ 300 em minha cidade antes de vir para a fronteira, comentou o morador de El Dorado, distante cerca de 80 quilômetros de Puerto Iguazú.
Mesmo em plena crise, os argentinos devem invadir Foz do Iguaçu durante esta semana. Tradicionalmente, eles aproveitam os últimos dias de férias para conhecer as belezas naturais da tríplice fronteira. Vamos aproveitar enquanto é tempo. Estas férias podem ser as últimas, brincou um turista que aguardava pacientemente a revista dos fiscais. (Emerson Dias)





